A HISTÓRIA DO XADREZ NO CONCELHO DE VILA FRANCA DE XIRA
INTRODUÇÃO
Trata-se de uma lição para um Povo e esse também pode ser o caminho de cada um de nós. Criou-se a partir de alguma coisa que nós, por não sabermos o que é, chamamos o Nada; criar algo que vai acima de todo o Tempo e acima de todo o espaço. Os meus amigos, se querem alcançar o Céu na Terra, tratem do seu navio, mantendo-o em ordem, com disciplina a bordo, porque um dia a “Ilha dos Amores” aparece. A História é uma máquina interna que se manifesta por fenómenos externos exactamente como um relógio manifesta o seu mecanismo interno por intermédio dos ponteiros. Nós, muitas vezes, somos levados a pensar que a História é feita pelos homens como poderá pensar um indivíduo desconhecedor da mecânica de relojoaria que tudo, lá dentro, se move em virtude dos ponteiros se moverem… Mas é exactamente o contrário.
CAPÍTULO I
Teria sido o Padre Raul que lançou o xadrez erudito em Alverca, por intermédio da “TELE ESCOLA”, juntamente com Capelo, e Fernando Alves na década de 60.
Há indicações de que o xadrez terá sido jogado pela primeira vez em Alverca com alguma animação, na Leitaria Paraíso, nos finais da década de 60 princípios de 70. Era ali que alguns jogadores se reuniam regularmente para jogarem, mas ainda como passatempo. Por ali teriam passado o Sr. Virgílio (dono da Leitaria) o velho “Seminário”, o Sr. Capelo o Sr. Gouveia, o Sr. Renato Parra, o Sr. Manuel Leite e também os jovens daquela época; António Peixeiro, Manuel Rocha, Vítor Franco, João Franco, Carlos Lobo, José Almeida, Henrique Martins, Francisco Airoso, Fava, e outros. Esta juventude imprimiu alguma animação própria e natural nas suas idades. Parece que também no C.P.M (Mague), se começou a jogar xadrez nos tempos livres, em princípios dos anos 60 e teriam sido os Engenheiros Vinga Martins e Henrique Sequerra, os primeiros a praticarem-no ali. Manteve-se com fraca animação até finais da década de 70, princípios de 80, só para os «empregados». Nos princípios da década de 80, com a chegada de Vítor Franco e Justino Mendes foi-lhe dado um grande impulso e, mais tarde com a colaboração de Walter Tarira, também um entusiasta, nasce o xadrez de competição e começam a jogara-se todos os torneios do INATEL. Em 1985, o CPM (MGUE) é federado conseguindo atingir os quartos de final da Taça de Portugal, defrontando o Boavista, onde perdeu por 2,5 a 1,5. Nos últimos anos ainda jogaram no CPM, Vítor Franco, Justino Mendes, Orlando Nunes, João Franco, Vinga Martins, Henrique Sequerra, Manuel Semiano, Adriano Pinhal, José Almeida, José Lopes, Walter Tarira, Emídio Fernandes, João Deodato, Joaquim Aníbal de Oliveira, Luís Duarte, Jesus Santos, Mário Cardoso e muitos outros, todos empregados da Mague, à excepção de Joaquim Aníbal de Oliveira e Mário Cardoso. Em 1987 e com a saída de Walter Tarira o xadrez acaba.
Na década de 70, Manuel Rocha; Vítor Franco; Henrique Martins; Fava; João Franco, Carlos Lobo, Henrique Martins, Francisco Airoso e outros, praticaram muito xadrez em vários pontos de Alverca acabando por lhe darem alguma animação local, mas ainda fora das competições oficiais. Manuel Rocha e Vítor Franco foram os primeiros jogadores a imprimirem alguma animação local, tendo ambos passado também pela Leitaria Paraíso, Livrope,“Salão de chá”(actualmente a Ramilux), Snakbar“Flor do Lis”, Café do “Salgueiro”, F.C.Alverca, etc. Vítor Franco e Manuel Rocha, ainda muito jovens já davam simultâneas, com o objectivo de captarem jovens para a modalidade. Foi, por exemplo, Vítor Franco que ensinou João Franco a jogar! O mesmo aconteceu a Carlos Lobo e Francisco Airoso que aprenderam com Manuel Rocha. Esta primeira fase teria derivado da animação que o Campeonato do Mundo, disputado em 1972 entre Boby Fischer e Boris Spassky, despertou na opinião mundial.
Derivado ao regime político em vigor na altura, houve algumas dificuldades na sua disseminação. Há indicações de que a polícia política daquele tempo, (PIDE/DGS), teria feito algumas incursões na Livrope. Passados alguns anos e já nos finais da década de 70, ainda em fase embrionária, o xadrez teria atingido já um nível interessante porém, com poucos praticantes e sem competições oficiais. Ainda não era Federado.
A mudança política surgida após o 25 de Abril de 1974, veio facilitar um pouco o seu desenvolvimento. Alguns dos entusiastas desta cidade, entre eles Manuel Rocha, Vítor Franco, João Franco, Henrique Martins, Carlos Lobo, Francisco Airoso e outros, começaram finalmente a jogar xadrez federado. Este acontecimento dá-se nos meados da década de 70, em Alhandra. Ali o xadrez estava muito mais implantado do que em Alverca; nomes como Calçada, (o homem que ensinou Vítor Franco a jogar) Santos da TAP, Patinhas e Pires, foram importantes também no xadrez em Alhandra. Mais tarde, teria sido Alexandre Dias quem deu o empurrão final, no sentido federativo. Foi provavelmente a Sociedade Euterpe a primeira colectividade a ter xadrez em Alhandra no entanto, o xadrez federado parece ter nascido na Juventude Alhandrense, pela mão de Alexandre Dias.
Curiosamente, os xadrezistas que engrossaram as primeiras fileiras da Juventude Alhandrense no xadrez federado, não eram dali; a sua maioria era de Alverca!
Porque razão teria sido Alhandra, a pioneira no xadrez concelhio?
Porque razão os clássicos do xadrez em Alhandra, mais tarde não o jogaram na forma federada?
Haverá alguma relação entre xadrez e política? Se houver, qual será?
Será o xadrez um jogo de intelectuais? Se é, porque razão se implantou primeiro num mundo operário, como Alhandra?
Brevemente seguirá o 2º Capitulo
II CAPÍTULO
Walter Tarira apoiado pelo Sr. João Ferreira Estevens Costa, Presidente da Direcção da SFRA, funda, em 14 de Dezembro de 1985, nesta Colectividade, uma secção de Xadrez. Nasce assim em Alverca o xadrez sério, o xadrez federado.
A SFRA tinha só um tabuleiro de xadrez de cartão já bastante desgastado e algumas peças com defeitos, infligidos pelo tempo. Do INATEL veio uma dúzia de tabuleiros em cartão que depois de montados numa estrutura de madeira, formaram um belíssimo conjunto. As peças e os primeiros cinco relógios foram comprados na FPX, presidida na altura por Joaquim Durão. Foram estes tabuleiros que iniciaram a primeira fase de animação, que funcionou no salão principal onde também se jogavam cartas, dominó, damas e dados mas, pouco a pouco, o salão foi-se enchendo de jovens e, de tal forma foi a enchente, que o contágio alastrou às camadas dos mais idosos. Estava assim concluída a fase do arranque.
João Estevens Costa, o Presidente amigo do xadrez, constatou que a modalidade tinha tomado uma dimensão tal, que já não podia continuar no salão por ser incompatível com os outros jogos. Em xadrez era preciso estudar! Em xadrez era preciso reflectir e também era necessário haver silencio e a concentração de jogadores era factor primordial. Os outros jogos, muito barulhentos por natureza, não permitiam aos xadrezistas as condições mínimas exigidas e assim, construiu com alguns materiais seus e também mão-de-obra, a primeira sala de xadrez. Acabava de nascer o primeiro espaço exclusivamente para a prática, análise e estudo de xadrez.
Nesta sala deram aulas de xadrez gratuitamente e a quem quis, Vítor Franco e Manuel Rocha. Foi esta a primeira escola aberta de xadrez a funcionar em Alverca. Tinha horários, temas encadeados num programa previamente elaborado, trabalhos práticos e teóricos e, até mesmo, trabalhos de casa.
Por ali passaram entre 1986 e 1988, Marco Santos, Paulo Silva, João Cunha, Miguel Batista, Nuno Lino, Rui Muacho, José Cotrim Antunes, Luís Caldeira, Carlos Lobo, Manuel Rocha, Henrique Martins, Luís Alves, Nuno Leitão, Pedro Durão, Walter Tarira, José Lopes, Rui Marques, Joaquim Croca, Herminio Mesquita, Américo Mesquita, Paulo Galaricha, Paulo Caldeira, José Pardal, Jorge Fidalgo, João Franco, José Almeida, José Carpinteiro, António Muacho, Paulo Falé, Jorge Correia, Jorge Cunha, Josué Romão, Mateus Gonçalves, e muitos outros cujos nomes se apagaram no tempo; por vezes não havia lugar vago na sala. É de referenciar que a música, principal actividade da Colectividade, ligava muito bem com o Xadrez.
Estávamos no princípio do ano 1986 quando Vítor Franco teve uma ideia brilhante. Um “OPEN” de partidas rápidas, 5 minutos. Foi a primeira grande competição xadrezista em Alverca que teve assim o seu primeiro grande torneio de xadrez, com participantes oriundos de todo o distrito, ultrapassando a centena de jogadores. Foi realmente um espectáculo.
Em 1986 havia xadrez em Alenquer, Ateneu de Vila Franca de Xira, Cooperativa Alves Redol de V.F. Xira, Juventude Alhandrense, CP da MAGUE Alverca, Quintanilho de Vialonga, Póvoa de Stª Iria, Vialonga, e a recém chegada SFRA. Totalizavam nove Clubes com cerca de 200 jogadores onde predominavam os iniciados.
Em 1988 e dada a grande concentração de Clubes e jogadores no Concelho, a A.X de Lisboa realizou em Alverca o Campeonato Individual de Lisboa, no CP da Mague.


1 Comentários:
Como está?
A PIDE não apenas fez várias incursões na LIVROPE, apreendendo livros em diversas ocasiões, como chamou vários dos seus dirigentes, incluindo o meu marido, José Guerreiro Jorge e eu própria, Idalina Jorge, a prestar declarações no posto da GNR, como acabou por encerrar a LIVROPE, onde, aliás, houve uma reunião de cooperativistas que se prolongou noite fora e que foi conduzida pelo Dr. Roque Laia, por um dirigente da cooperativa PRAGMA, é por mim própria, enquanto dirigente da LIVROPE.
No meu blogue poderá ver fotografias de alguns dos que viriam a ser dirigentes da LIVROPE.
Havia, de facto, tanto quanto me recordo, pelo menos um xadrezista na LIVROPE, a quem chamávamos o LENNON, e realizaram-se na cooperativa várias eliminatórias.
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