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O Gigante em acção
Em xadrez pensado, um jogador que tenha atravessado o cabo das Tormentas (xadrezísticas), isso após os 60 anos de idade, sofrerá um notável e natural decréscimo no rendimento do seu jogo, principalmente depois de a partida ter ultrapassado um certo limite de tempo. Esse fenómeno tão comum e inevitável é conhecido nos meios xadrezisticos como “síndrome da terceira hora”.
O conhecido e estimado xadrezista Augusto Dias, não obstante a sua idade septuagenária, é um dos mais ferrenhos e assíduos participantes de todos os tipos de competição. Um dia confessou-nos no Clube que, após a terceira hora de jogo, sentia, aliás, pressentia a presença de alguém às suas costas, um gigante nebuloso (seria o titã Adamastor, de barbas negras e dentes amarelos, cantado em versos por Camões?), que, sorrateiro e mefistofélico, voz cavernosa, lhe sussurrava anestesicamente ao ouvido:
-- Joga grande Augusto!

E o seduzido Augusto, num estupor de marujo apaixonado e bêbado, vai lá e... pimba! Comete uma patada dessas de gritar aos céus. É evidente que uma melhor tradução para isso seria fadiga, stresse – provocando um curto-circuito mental de proporções lamentáveis.
Um caso típico é a sua partida contra o Viktor Ulianovkyy quando, tendo fisgado um peixe enorme (ficou completamente ganho),deixou o seu ouvido ao alcance do canto das sereias...
Pior: do gigante descomunal!


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