Um médico psiquiatra de um hospital de Lisboa e que tinha um caso bastante complicado, resolveu pedir ajuda a um seu amigo, top do xadrez Nacional.
Tinha um “internado” lá no hospital psiquiátrico com noções de xadrez mas só admitia jogar com Deus. E o mais grave é que ganhava sempre, chegando a «tratar» o Criador com frases do tipo "ora Deus, esta abertura foi muito fraca, apare lá este mate!" Jogava, discutia e ironizava Deus elevando o olhar ao Céu a cada partida.
Como o amigo do médico era um dos melhores jogadores do País - e o doente só lia jornais e revistas que tratavam de xadrez - aceitou recebê-lo no seu quarto.
Foi um sucesso quando o craque chegou ao hospital, pois era muito conhecido em todo o Pais. Entrou no quarto, cumprimentou o louco e desafiou-o para uma partida. O louco ironizou dizendo que ele era muito fraco. Bem, jogaram, e o louco ganhou.
O médico desesperou-se, pois pretendia acabar com o ego do maluco e não alimentá-lo. O louco riu de orelha a orelha e, em seguida desafiou Deus para uma partidinha.
Um ano depois, com aquela derrota incrível e surpreendente a incomodá-lo, o nosso craque apresentou-se em Setúbal para uma simultânea contra 25 jogadores. Cumprimentou todos e identificou entre eles o seu velho conhecido e vencedor, o louco.
Chamou os organizadores do evento e informou-os que provavelmente venceria 24, mas que inevitavelmente perderia uma. Iniciou-se a simultânea e o nosso Maior obteve 25 vitórias.
Satisfeito, saiu disparado a correr que nem um galgo em busca de um computador e mandou uma mensagem para o médico psiquiatra, em Lisboa: "Caro amigo, consegui vencer o louco".
Dois dias depois recebeu a resposta do médico, no Porto: "Grande coisa. Ele teve alta há seis meses!".