Campeão Nacional Sube 12 2004

Quem ri no fim ri mesmo melhor! Verdade, Verdadinha, Verdadeiro!!!
Em 1º lugar, Miguel Alexandre Gaspar da Ponte Gomes da Silva, 6 pontos isolado.
É verdade: o Jovem xadrezista Alverquense, do GXPA, nem se intimidou com a espada do "Fundador" e muito menos com as previsões da AXP (muito caseiras por sinal) e isolou-se no 1º lugar, sagrando-se CAMPEÃO NACIONAL do seu escalão. Parabéns Miguel Silva, parabéns GXPA e parabéns para toda a Alverca; bandeiras desfraldam ao vento...

Os sube 20 combateram com muita dignidade e deram o seu melhor mas, não deu; sabemos todos, Alverquenses, particularmente o GXPA, das vossas dificuldades e apreciamos sobretudo o vosso espírito combativo cujo valor é incomensurável. Parabéns também para vocês.

UM SUMO!

Seria um crime não relatar aqui os feitos heróicos dum grande Jogador Português e cujo nome vou omitir por razões de segurança; não vá o diabo tecê-las e alguns leitores quererem encarnar a personagem!

Muito antes de se destacar como Mestre de Xadrez, bicampeão da "Quinta da Cardiga" dirigente e árbitro internacional, "Focinho de Porco", (não uso nomes para não me lixarem) já havia obtido grande projecção como cronista especializado, colaborando nas mais diversas publicações de todo o mundo escaquístico.

Forjado na escola idealista de "Cara de Cavalo" (nomes! Não!!) herdou do seu pai os dotes jornalísticos e o acentuado entusiasmo pela arte de Caíssa.

Assim, desde os primórdios das suas actividades como jogador, desenvolveu um intenso trabalho de divulgação e proselitismo, culminando com o lançamento do livro de crónicas "Peões na Oitava!" que teve franca aceitação e generoso acolhimento!

Decorridos alguns anos de proveitosa experiência, dentro e fora do tabuleiro, esse mestre produziu outro significativo livro, intitulado "No Mundo dos Sonhos"!

Embora verse essencialmente sobre assuntos xadrezisticos, abordando interessantes e variados temas, electrizantes partidas magistrais e figuras exponenciais do "top-board" mundial, esse livro sobressai também pelo seu conteúdo literário e pitoresco, tendo alcançado ampla repercussão junto ao público em geral, notadamente perante os aficionados da arte que mereceu do genial Goethe a lapidar definição de "pedra de toque da inteligência"! Porra que é de mais!!

"Focinho de Porco" é uma figura exponencial do xadrez desde que se sagrou campeão da Ilha das “Rolas” sempre em perfeito equilíbrio. Pensa-se que irá encerrar as suas actividades no tabuleiro como participante de certames amistosos e oficiais e passar à condição de dirigente duma Fábrica de gelados no Pólo Norte, figurando durante seis anos como Presidente e técnico na confecção dos ditos (gelados). Em Xadrez e durante quatro anos, funcionará como Presidente da Zona Antártida "Fédération Internationale des Échecs dos Ursos".

Irá dar com isso um extraordinário impulso à prática do xadrez no Antárctico, beneficiando também os “Esquimós” e, entre as suas já anunciadas realizações, está anunciado o memorável Torneio dos “Ursos Polares” em 2006. Esperamos que os Esquimós assim o consintam.

É também um dos mais fecundos escritores sobre a arte de Caissa, com colaborações no país e no exterior, sobressaindo as respeitáveis colunas que mantêm sobre xadrez nos jornais "O PAPALVO" e o "DIÁRIO ANUAL” ambos da Ilha das Rolas.

Saudação blogo-escaquística

Quero saudar o gxa e o msena pelo seu Salto de Cavalo, outro blogue com temática xadrezística e que, conhecendo os seus autores, garante um seguro acréscimo de qualidade à blogosfera.

(Apenas um pequeno reparo, o Alverca-X possui 9 autores, sendo 4 deles do GXPA e os outros 5 da SFRA. Tudo gente ligada ao Xadrez alverquense, mas nem todos dos Peões de Alverca!)

Uma vez mais, parabéns pela iniciativa e espero assistir ao crescimento do Salto de Cavalo! Talvez com a autorização do Luís Costa o cavalo possa saltar mais longe, 3 casas para a esquerda e 4 para a frente, por exemplo!

Nacional de Jovens 2004 "Guimarães

O Sol está encoberto em Guimarães e o "Fundador" levantou a espada contra Alverca onde até já não há Mouros!  Será que D. Afonso Henriques nos vai deixar em Paz?

Classificação após a 5ª Jornada nos Sube 20
Ricardo Santos perdeu a liderança e à 5ª Jornada vai na 2ª posição; muito bem rapaz!
Isac Van Dunem sobe à 5ª posição; nada mau!
Helder Cunha sobe à 14ª posição; aguenta sem choros!
Edgar Afonso, sem a protecção do seu "Fundador" vai na 18ª posição; sem complexos! 

 Classificação após a 5ª Jornada nos Sube 12
Miguel Silva perde com Catarina Costa na 4ª Jornada e deixa a liderança mas ganha na 5ª. Ocupa à 5ª Jornada a 6ª posição a meio ponto da líder Catarina Costa Jogadora de muita "garra" e persistência.

Será que o Sol ainda vai brilhar em Guimarães? Alverca ainda tem algumas hipóteses se os nossos rapazes não se intimidarem com a "espada" do Big Men (o Grande Afonso Henriques) 



Provocações 2 SFRA: O IO-IO do Xadrez em Alverca?

Gostaria de partilhar com vocês uma conversa que ouvi no outro dia.

Augusto: Então já sabes? A SFRA é o novo IO-IO do Xadrez em Alverca?

Ernesto:??? O que queres dizer com isso, pá?

Augusto: Então não sabes? Quando sobe, desce de seguida

Ernesto: Ah pois! Isso é certinho. E já estou a ver o filme na última jornada na APOGMA

Augusto: Eu também! Ganhamos sem espinhas.

Ernesto: Isso é certinho. O Boinas larga uma peça. (CENSURADO)

Augusto: E o Marco perde por tempo.

Ernesto: Isso é certinho. No 4º Tabuleiro joga o Ostapenko contra o Viegas, é para não correr riscos. Então tu não sabes que em Portugal não se joga uma beata desta “merda”.

Augusto e Ernesto: Eh, Eh, Eh, Eh.

Esta conversa nunca aconteceu, são apenas provocações...

PROVOCAÇÕES 1 - Ernesto Loureiro com Elo FIDE - Walter Tarira abandona o Xadrez - Augusto Dais dedica-se a treinador - e António Vítor a observador

Alverca, 1 de Outubro, de 2004.
 
Depois de um brilhante torneio em Benfica, Ernesto Loureiro sai com Elo FIDE.

Walter Tarira abandona o Xadrez! Agora em vez de passar os seus dias a amassar GM´s no ICC com a sua caixa mágica, passa-os a preencher boletins de totoloto com os palpites do Loureiro.

Augusto Dias depois de treinar o Loureiro em Benfica passa a fazer disso a sua actividade principal.

António Vítor também deixa o Xadrez de competição, abandonando o seu sonho de ser MI, e passa a mero observador do fenómeno Xadrezístico.

1º TORNEIO NACIONAL DE VETERANOS

Regulamento

1 – O torneio é organizado pelo Clube TAP Air Portugal, tem o patrocínio do Olivais Shopping Center e da Federação Portuguesa de Xadrez.

2 – O torneio destina-se a jogadores com idade superior a 60 anos homens e 50 anos senhoras.

3 – O torneio terá início no dia 27 de Julho às 19h00m, no Espaço Lisboa do Olivais Shopping Center, sito na R. Cidade de Bolama, nos Olivais Sul em Lisboa. Disputando-se no máximo de 6 sessões em sistema suíço, sendo utilizado o “Swiss Perfect” para emparceiramento.

4 – A taxa de inscrição será de 5 euros, as inscrições deverão ser efectuadas até às 20h00m do dia 26 de Julho por mail para acad_xadrez@iol.pt, xmdk@hotmail.com, por telm. 967774183 – 919661450 ou até às 12h00m pelo Fax 218416560 ou clubetap@tap.pt, indicando nome, data nascimento, clube, e “ELO” FIDE ou FPX.

4 – O ritmo será de 1h30m mais 30” de incremento por lance em relógios digitais e 2h00m KO por jogador em caso de relógios mecânicos.

5 – Calendário:
1ª sessão dia 27 de Julho 19h00m
2ª sessão dia 28 de Julho 19h00m
3ª sessão dia 29 de Julho 19h00m
4ª sessão dia 30 de Julho 19h00m
5ª sessão dia 31 de Julho 14h30m
6ª sessão dia 1 de Agosto 14h30m

6 – Haverá trofeus para os três primeiros classificados e medalhas até ao 20º classificado.
O VENCEDOR TERÁ DIREITO A PARTICIPAR NO TORNEIO DE CANDIDATOS DO PRÓXIMO CAMPEONATO NACIONAL ABSOLUTO.

7 – O desempate será efectuado segundo os regulamentos oficiais da FPX.

8 – O torneio contará para o sistema “ELO”.

9 – A direcção e arbitragem da prova ficarão a cargo respectivamente do Sr. Rui Rogado do Clube TAP e Manuel Duque Rodrigues que poderá nomear auxiliares.

10 – Os casos omissos serão resolvidos pela direcção e arbitragem da prova, não havendo recurso das suas decisões.

11 – Em tudo o que não contrarie o presente regulamento, serão respeitados os regulamentos oficias da FIDE e FPX.

Lista de Jogadores

1 Júlio Santos Clube Pessoal "EDP" Lisboa 2095 FIDE
2 Francisco Gonzalo Gonzalez ADRC Mata Benfica 1991 FIDE
3 Carlos Correia Lopes GX Alekhine 1972 FIDE
4 José Mesquita Vasques Clube TAP Air Portugal 1962 FIDE
5 Alberto Mendes GC Odivelas 1934 FIDE
6 Rui Barreira Lopes GX Alekhine 1882 FIDE
7 Augusto Dias GX Peões Alverca 1877 FIDE
8 Fernando Lima Clube TAP Air Portugal 1791
9 Américo Pinto Fernandes Clube Pessoal "EDP" Lisboa 1777
10 Walter Tarira GX Peões Alverca 1721
11 Jorge Aniceto Oliveira UCA 1630
12 António Feijoeiro Clube TAP Air Portugal 1623
13 Aurélio Pereira Clube TAP Air Portugal 1607
14 Virgílio Milhano Sporting Clube Portugal 1585
15 Mounir Faur GX Peões Alverca 1495
16 Alfredo Videira GC Odivelas 1486
17 Ricardo Balona UCA 1450


Resultados da 1ª Jornada
27 Julho 2004

1 Jorge Aniceto Oliveira 0:1 Júlio Santos
2 Francisco Gonzalo . 5:.5 Fernando Lima
3 António Feijoeiro 0:1 Carlos Correia Lopes
4 José Mesquita Vasques 1:0 Aurélio Pereira
5 Virgílio Milhano -:+ Alberto Mendes
6 Rui Barreira Lopes 1:0 Mounir Faur
7 Alfredo Videira 1:0 Augusto Dias
8 Américo Pinto Fernandes 1:0 Ricardo Balona
9 Walter Tarira 1:0 BYE

Resultados da 2ª Jornada
28 Julho 2004

1 Júlio Santos 1:0 Rui Barreira Lopes
2 Carlos Correia Lopes 1:0 Américo Pinto Fernandes
3 Walter Tarira .5:.5 José Mesquita Vasques
4 Alberto Mendes 1:0 Alfredo Videira
5 Augusto Dias .5:.5 Francisco Gonzalo
6 Fernando Lima 1:0 Jorge Aniceto Oliveira
7 Mounir Faur +:- António Feijoeiro
8 Aurélio Pereira 1:0 Ricardo Balona

3ª Jornada
29 de Julho 2004

1 Carlos Correia Lopes 0:1 Júlio Santos
2 José Mesquita Vasques 1:0 Alberto Mendes
3 Fernando Lima 1:0 Walter Tarira
4 Francisco Gonzalo 1:0 Aurélio Pereira
5 Rui Barreira Lopes 1:0 Alfredo Videira
6 Mounir Faur .5:.5 Américo Pinto Fernandes
7 Jorge Aniceto Oliveira 0:1 Augusto Dias
8 Ricardo Balona +:- António Feijoeiro

4ª Jornada
30 Julho 2004

1 Júlio Santos 1:0 Fernando Lima
2 Francisco Gonzalo 0:1 J. Mesquita Vasques
3 Alberto Mendes 0:1 C. Correia Lopes
4 A. Pinto Fernandes 1:0 Rui Barreira Lopes
5 Augusto Dias .5:.5 Mounir Faur
6 Ricardo Balona 0:1 Walter Tarira
7 Alfredo Videira 0:1 Aurélio Pereira
8 Jorge A. Oliveira 1:0 BYE

5ª Jornada
31 Julho 2004 14H30

1 J. Mesquita Vasques .5:.5 Júlio Santos
2 Walter Tarira 0:1 C. Correia Lopes
3 Fernando Lima .5:.5 A. Pinto Fernandes
4 Mounir Faur 0:1 Francisco Gonzalo
5 Aurélio Pereira -:+ Alberto Mendes
6 Rui Barreira Lopes .5:.5 Augusto Dias
7 Ricardo Balona 0:1 Jorge A. Oliveira
8 Alfredo Videira 1:0 BYE

6ª Jornada
01 Agosto 2004

1 Júlio Santos .5:.5 Francisco Gonzalo
2 C. Correia Lopes .5:.5 J. Mesquita Vasques
3 A. Pinto Fernandes 0:1 Alberto Mendes
4 Aurélio Pereira 1:0 Fernando Lima
5 Jorge A. Oliveira 0:1 Rui Barreira Lopes
6 Augusto Dias .5:.5 Walter Tarira
7 Alfredo Videira 1:0 Ricardo Balona

Classificação Final

Place Name Club Score Progr. M-Buch. Buch. Wins

1 Júlio Santos Clube"EDP" Lisboa 5 19.5 14.5 20.5 4
2 J. Mesquita Vasques TAP Air Portugal 4.5 17.0 14.5 22.0 3
3 C. Correia Lopes GX Alekhine 4.5 16.5 13.0 20.5 4
4 Alberto Mendes GC Odivelas 4 14.0 14.0 21.0 2
5 Francisco Gonzalo ADRC Mata Benfica 3.5 12.0 14.0 21.0 2
6 Rui Barreira Lopes GX Alekhine 3.5 12.0 10.5 17.0 3
7 Fernando Lima TAP Air Portugal 3 13.0 12.5 19.0 2
8 Walter Tarira GX Peões Alverca 3 12.0 13.5 18.5 1
9 A. Pinto Fernandes Clube Pessoal "EDP" Lisboa 3 12.0 11.5 16.5 2
10 Augusto Dias GX Peões Alverca 3 9.5 10.5 15.5 1
11 Alfredo Videira GC Odivelas 3 9.0 12.5 16.5 2
12 Aurélio Pereira TAP Air Portugal 3 9.0 12.0 17.0 3
13 Mounir Faur GX Peões Alverca 2 6.5 9.5 15.5 0
14 Jorge A. Oliveira União Cultura Acção 2 5.0 12.5 18.0 1
15 Ricardo Balona União Cultura Acção 1 4.0 10.5 15.5 0
16 Virgilio Milhano Sporting Clube Portugal 0 0.0 3.0 3.0 0
17 António Feijoeiro TAP Air Portugal 0 0.0 2.0 7.0 0

Veteranos

O Campeonato de Veteranos deve estar ao rubro, lá pelos Olivais! O Augusto com uma pomada de amarga Videira, lá caiu na primeira jornada, em que Walter, com sintética vitória, se avantajou num ponto inteiro ao seu colega peão! E ontem, contra Gonzalo e Mesquita Vasques, ambos empataram, o Dias com o primeiro, o Tarira com o segundo, mantendo-se assim o ponto de intervalo e que se adivinha ser, nas mãos e dizeres do Walter, arma de arremesso contra o indefeso (ou quase) neovilafranquense dos Peões de Alverca!

A coisa promete e exijo relatórios diários e exaustivos dos pormenores escabrosos, erros grosseiros e detalhes burlescos da prova! É disso que se alimenta o Xadrez!

Campeonato Nacional de Jovens 2004 "Guimarães"

Atenção mundo livre! Alverca, nos dois únicos escalões em que participa, Sub12 e Sub20 é LIDER!!!

Exactamente: Ricardo Santos Sub 20, à 3ª Jornada jogou na 1ª mesa e lá ficou, porque ganhou a  Luís F. Silvério o n.º1 do escalão. Mantem-se assim invicto com três em três.

Miguel Silva o N.º1 dos Sub 12, mantem-se a liderar também invicto, com três em três.

Força rapazes; mostrem a todo o mundo o que são capazes de fazer sem terem os apoios que a grande maioria dos vossos concorrentes têem. Viva o Xadrez de Alverca que, mesmo sem treinadores, apoios e sem o mínimo de condições, está lá!!!

Grande Loureiro

É com genuína alegria que dou as boas vindas a Ernesto Óscar Garcia Loureiro à lista FIDE! Bem vindo seja, Ernesto (ou, como diria Santana Lopes nos seus cartazes da CM Lisboa, benvindo seja!).

P.S.: Nem sabia que o Grandela ainda existia!

Ernesto Loureiro mais um "FIDE"!

Ernesto Loureiro terminou o torneio fechado BMRR Grandela em Lisboa com 3,5 em 9 possiveis. Não foi uma boa prova é verdade diz ele, mas deu para fazer o bloco que faltava e ficar para já com um bom numero de partidas a contarem para FIDE. Na próxima lista FIDE de Outubro, Alverca terá assim mais um FIDE. Parabéns Loureiro.

Segue a partida que lhe poderia ter dado mais um ponto mas, o síndrome da 3ª hora estava lá!

Loureiro,E (1551) - Cardina,J (1540) [C45]BMRR Grandela Lisboa (8), 26.07.2004

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.d4 exd4 4.Cxd4 De7 5.Cc3 a6 6.Be2 Dd8 7.Be3 Cf6 8.Dd2 Bb4 9.Bf3 0-0 10.0-0-0 d6 11.h4 Ce5 12.De2 Bxc3 13.bxc3 Dd7 14.Rb1 Cxf3 15.gxf3 c5 16.Cb3 Dc6 17.Bg5 Ch5 18.Be3 a5 19.Ra1 a4 20.Cd2 Be6 21.f4 Cf6 22.f5 Bd7 23.f3 a3 24.c4 Db6 25.Tb1 Dc7 26.h5 Ba4 27.Cb3 Tfe8 28.h6 g6 29.fxg6 fxg6 30.Bg5 Te6 31.Dd2 Df7 32.Dc3 Te5 33.Bf4 Te6 34.e5 Ch5 35.Bh2 Bc6 36.Thf1 dxe5 37.Bxe5 b6 38.f4 Be4 39.Cd2 Bf5 40.Cf3 Df8 41.Cg5 Tc6 42.Tfd1 Dxh6 43.Td6 Txd6 44.Bxd6 Dg7 45.Dxg7+ Cxg7 46.Th1 h5 47.Bc7 Tc8 48.Bxb6 Bxc2 49.Tc1 Bf5 50.Cf3 Ce6 51.Ce5 Cxf4 52.Ba5 Ce2 53.Te1 Cd4 54.Tg1 Rh7 55.Cf7 Tb8 56.Cg5+ Rg8 0-1

Campeonato Nacional de Jovens em "Guimarães"

À 2ª JORNADA
 
Os cinco "Magníficos" de Alverca começaram o Nacional muito bem! Parabéns rapazes.
Miguel Silva Sub 12 lidera com dois em dois, num total de 71 participantes.
Ricardo Santos Sub 20 vai com dois em dois, (5º) num total de 45 participantes
Isac Van Dunem cedeu 1/2 ponto, vai com 1,5 em dois (11º)
Helder Cunha cedeu um ponto vai com um em dois (23º)
Edgar Afonso também cedeu um ponto vai com um em dois (29ª)

Força rapazes que a 3ª jornada vai ser dura!

 

 

FPX “descentralizar; só conjecturas”

Irá a FPX passar para o Porto num futuro próximo? É que já vão aparecendo algumas “dicas” (com bom suporte) aqui e ali “com indicações” nesse sentido. Bem! Portugal, na verdade, nasceu no Porto. Se isso vier a acontecer, faz parte da nova corrente de pensamento? O edifício (Sede) é transladado de Lisboa para o Porto? Não acredito. Será vendido o de Lisboa e comprado outro no Porto? O secretário, Ramiro Lopes é transferido para o Porto? Ou tudo fica como está, a ser comandado do Porto!

Se Luís Costa não continuar, (como já o afirmou diversas vezes) à frente dos desígnios da FPX, quem virá a ser o novo homem forte? Jorge Antão da Academia de Gaia? Pode ser; mas o melhor é mesmo esperarmos para ver o que acontece.

Elo FPX Julho 2004 http://www.fpx.com.pt/elo/0403/FPX0403v1.zip

O Resto do Sonho

Aquilo que sobra do sonho, a última esperança de magia, a nobreza e a constante tormenta do génio, a força verdejante das ideias novas, límpidas, capazes de levantar as mais tremendas tempestades, capazes de multiplicar paixões e de fazer com que o Xadrez faça sentido, tudo isso, foi preso um destes dias no Japão.

Tinha o passapaorte caducado, ou lá o que era. Não admira que o Japão seja um dos poucos países decentes atrás de Portugal na nobre arte de Robert James Fischer.


Menos um meliante nas ruas. Os Dragões dormem agora mais sossegados.

Corpos Gerentes da FPX 2004

Finalmente já se pode ver quem são os corpos gerentes da FPX! Acaba de ser publicado no site http://www.fpx.com.pt/ e até tem alguns contactos!

Morada: Rua Frei Francisco Foreiro, 2, 4º Esqº 1150-166 LISBOA PORTUGAL
Telefones:(351) 21 351 26 20 até/to (351) 21 351 26 29
Telefax: (351) 21 352 56 10

Contactos

Secretaria: info@fpx.com.pt (Ramiro Lopes)
Competições: competicao@fpx.com.pt (Albino Silva)
Elo: elo@fpx.com.pt (Luís Costa)
Selecção nacional: seleccao@fpx.com.pt (António Curado)
Xadrez escolar: escolar@fpx.com.pt (José Cavadas)
Selecção jovem: xadrezjovem@fpx.com.pt (Luís Costa)
Formação: formacao@fpx.com.pt (Luís Costa)

Corpos Gerentes  2004
Mesa da Assembleia Geral:
 
Álvaro Henriques Gonçalves (Presidente)
Plácido Jesus Monteiro Ferreira (Vice-Presidente)
Dinis Galvão Furtado (1º Secretário)
José Cláudio de Sousa Mesquita Vasques (2º Secretário)

Direcção
 
Luís Miguel Canongia Ferreira da Costa (Presidente)
Albino Carvalho Faria da Silva (Vice-Presidente)
António Mendes Curado (Vice-Presidente)
Ricardo Samuel Nunes Evangelista (Tesoureiro)
José Manuel Gonçalves Cavadas (Secretário)
Rui Pinto Guimarães (Vogal)
Luís Filipe Pires Reynolds (Vogal)
Suplente: Alberto Manuel de Almeida Fernandes

Conselho de Arbitragem 
 
Carlos Manuel Guimarães de Oliveira Dias (Presidente)
Joaquim Brandão Pinho (Vice-Presidente)
Gonçalo Bruno Santos Dias (Secretário)

Conselho Jurisdicional 
 
António Manuel Antunes Ferreira (Presidente)
Pedro Paulo Pacheco de Sampaio (Vice-Presidente)
Jorge Eduardo Martins Remédio Pires (Secretário)

Conselho Disciplinar
 
José Alberto Gomes da Rocha (Presidente)
Manuel Domingos Jóia Machado (Vice-Presidente)
Rui Manuel de Almeida e Silva (Secretário)

Conselho Fiscal 
 
Manuel Ribeiro Cunha Azevedo Rua (Presidente)
Manuel Abranches Pintor (Relator)
José João da Encarnação Grade (Secretário)

1º TORNEIO NACIONAL DE VETERANOS

 REGULAMENTO

1 – O torneio é organizado pelo Clube TAP Air Portugal, tem o patrocínio do Olivais Shopping Center e da Federação Portuguesa de Xadrez.

2 – O torneio destina-se a jogadores com idade superior a 60 anos homens e 50 anos senhoras.

3 – O torneio terá início no dia 27 de Julho às 19h00m, no Espaço Lisboa do Olivais Shopping Center,  sito na R. Cidade de Bolama, nos Olivais Sul em Lisboa. Disputando-se no máximo de 6 sessões em sistema suíço, sendo utilizado o “Swiss Perfect” para emparceiramento.

4 – A taxa de inscrição será de 5 euros, as inscrições deverão ser efectuadas até às 20h00m do dia 26 de Julho por mail para acad_xadrez@iol.pt, xmdk@hotmail.com, por telm. 967774183 – 919661450 ou até às 12h00m pelo Fax 218416560 ou clubetap@tap.pt, indicando nome, data nascimento, clube, e “ELO” FIDE ou FPX.

4 – O ritmo será de 1h30m mais 30” de incremento por lance em relógios digitais e 2h00m KO por jogador em caso de relógios mecânicos.

5 – Calendário:
         1ª sessão dia 27 de Julho 19h00m
         2ª sessão dia 28 de Julho 19h00m
         3ª sessão dia 29 de Julho 19h00m
         4ª sessão dia 30 de Julho 19h00m
         5ª sessão dia 31 de Julho 14h30m
         6ª sessão dia 1 de Agosto 14h30m

6 – Haverá trofeus para os três primeiros classificados e medalhas até ao 20º classificado.
O VENCEDOR TERÁ DIREITO A PARTICIPAR NO TORNEIO DE CANDIDATOS DO PRÓXIMO CAMPEONATO NACIONAL ABSOLUTO.

7 – O desempate será efectuado segundo os regulamentos oficiais da FPX.

8 – O torneio contará para o sistema “ELO”.

9 – A direcção e arbitragem da prova ficarão a cargo respectivamente do Sr. Rui Rogado do Clube TAP e Manuel Duque Rodrigues que poderá nomear auxiliares.

10 – Os casos omissos serão resolvidos pela direcção e arbitragem da prova, não havendo recurso das suas decisões.

11 – Em tudo o que não contrarie o presente regulamento, serão respeitados os regulamentos oficias da FIDE e FPX.

12 – A inscrição no torneio implica a plena aceitação deste regulamento

Assinalado a amarelo as alterações feitas ao regulamento 
REGULAMENTO

1 – O torneio é organizado pelo Clube TAP Air Portugal, tem o patrocínio do Olivais Shopping Center e da Federação Portuguesa de Xadrez.

2 – O torneio destina-se a jogadores com idade superior a 60 anos homens e 50 anos senhoras.

3 – O torneio terá início no dia 27 de Julho às 19h00m, no Espaço Lisboa do Olivais Shopping Center,  sito na R. Cidade de Bolama, nos Olivais Sul em Lisboa. Disputando-se no máximo de 6 sessões em sistema suíço, sendo utilizado o “Swiss Perfect” para emparceiramento.

4 – A taxa de inscrição será de 5 euros, as inscrições deverão ser efectuadas até às 20h00m do dia 26 de Julho por mail para acad_xadrez@iol.pt, xmdk@hotmail.com, por telm. 967774183 – 919661450 ou até às 12h00m pelo Fax 218416560 ou clubetap@tap.pt, indicando nome, data nascimento, clube, e “ELO” FIDE ou FPX.

4 – O ritmo será de 1h30m mais 30” de incremento por lance em relógios digitais e 2h00m KO por jogador em caso de relógios mecânicos.

5 – Calendário:
         1ª sessão dia 27 de Julho 19h00m
         2ª sessão dia 28 de Julho 19h00m
         3ª sessão dia 29 de Julho 19h00m
         4ª sessão dia 30 de Julho 19h00m
         5ª sessão dia 31 de Julho 14h30m
         6ª sessão dia 1 de Agosto 14h30m

6 – Haverá trofeus para os três primeiros classificados e medalhas até ao 20º classificado.
O VENCEDOR TERÁ DIREITO A PARTICIPAR NO TORNEIO DE CANDIDATOS DO PRÓXIMO CAMPEONATO NACIONAL ABSOLUTO.

7 – O desempate será efectuado segundo os regulamentos oficiais da FPX.

8 – O torneio contará para o sistema “ELO”.

9 – A direcção e arbitragem da prova ficarão a cargo respectivamente do Sr. Rui Rogado do Clube TAP e Manuel Duque Rodrigues que poderá nomear auxiliares.

10 – Os casos omissos serão resolvidos pela direcção e arbitragem da prova, não havendo recurso das suas decisões.

11 – Em tudo o que não contrarie o presente regulamento, serão respeitados os regulamentos oficias da FIDE e FPX.

12 – A inscrição no torneio implica a plena aceitação deste regulamento

Assinalado a amarelo as alterações feitas ao regulamento

Campeonato Nacional de Jovens 2004

A representar a briosa cidade de Alverca no Campeonato Nacional de Jovens 2004, a realizar em Guimarães de 27 de Julho a 31 de Julho vão estar presentes: Ricardo Santos S/20; Isac Van Dunem S/20; Helder Cunha S/20; Edgar Afonso S/20; Miguel Gomes da Silva S/12. Estes jogadores pertencem ao GXPA mas poderiam ser da SFRA; o que conta é Alverca, a terra dos Campeões. Pudera! Com o apoio que a CMVFX dá para o xadrez, 100.000 euros por ano! (desculpem lá o engano, tem dois zeros a mais; afinal são: €1.000)

Mas ainda falta acrescentar àquele subsídio (CMVFX) a participação da FPX! Estes valores serão publicados brevemente pelo Sr. Major Gomes da Silva, tesoureiro do GXPA, se assim o entender. Com todas estas verbas (um balúrdio) aplicadas no Xadrez, Alverca tinha mesmo de produzir Campeões, como vem fazendo desde 1990!

Há só um pormenor; dado que a prova é de sete jornadas para fazer em cinco dias, no dia 27 e 29 os nossos Muchachos terão de dar duas seguidas mas como são novos devem aguentar-se!

Ernesto Loureiro já escreve em Russo!

Loureiro, do GXPA, acaba de aprender a escrever em Russo "Vitória" (выигрыш) e diz que com o tempo também irá falar. Segue a partida que demonstra bem o esforço feito. Parabéns Ernesto Loureiro.
 
Loureiro, Ernesto - Veres, Mikola
BMRR Grandela Lisboa 19.07.2004
 
1.e4 d6 2.d4 g6 3.Be2 Bg7 4.Cf3 Cd7 5.Bf4 b6 6.c3 Bb7 7.Cbd2 c5 8.d5 Cgf6 9.Dc2 Ch5 10.Be3 e5 11.dxe6 fxe6 12.Cg5 De7 13.Bg4 e5 14.0-0-0 Cdf6 15.Bh3 b5 16.Ce6 Cf4 17.Bxf4 exf4 18.f3 Bh6 19.Cb3 Bc8 20.e5 dxe5 21.Td8+ Dxd8 22.Cxd8 Bxh3 23.gxh3 Txd8 24.Cxc5 Cd5 25.De4 Bg7 26.Ce6 1-0

Campeonato do Mundo 2004

O imperador Caio César Augustus Germânico (Calígula, 37- 41 d.C.), desgostoso com os políticos da sua época, nomeou para o senado romano de então o seu cavalo favorito, Incitatus. O actual presidente da FIDE, Kirsan Iliuzhinov, depois de tantas demandas (Kasparov, ACP etc) e múltiplos modelos de campeonatos mundiais, conseguiu colocar no trono máximo do Xadrez Magistral a figura simpática do bisonho GM Uzbeque Rustam Kasimdzhanov. Só faltou a frase: “Agora vão ter de o engolir”.Em entrevista concedida aos jornais de Tripoli, na Líbia, onde sucedeu esse disparate, Rustam confessou ter nascido em 12.05.1979 no Uzbequistão, é casado, tem um filho de 2 anos chamado Azar (assim mesmo, Azar), mora actualmente na Alemanha, é o 54º na última lista de rating da FIDE (Julho/2004), com 2640 pontos - ELO, e nem sequer se preparou para jogar este mundial! Até parece o “salvador” da criancinha que caiu ao mar; que, quando o comandante terminou de lhe fazer um elogio rasgado de alto a baixo, com vivas ao herói, ele apenas disse em surdina – “só queria saber quem foi o filho da pu… que me empurrou!”
 
E nós por cá, tudo bem? Somos pequeninos é um facto, mas também temos o nosso “Kirsan”! Não é tão bom como o da FIDE, mas com o tempo até pode ultrapassá-lo?! 
 

A HISTÓRIA DO XADREZ NO CONCELHO DE VILA FRANCA DE XIRA

INTRODUÇÃO

Trata-se de uma lição para um Povo e esse também pode ser o caminho de cada um de nós. Criou-se a partir de alguma coisa que nós, por não sabermos o que é, chamamos o Nada; criar algo que vai acima de todo o Tempo e acima de todo o espaço. Os meus amigos, se querem alcançar o Céu na Terra, tratem do seu navio, mantendo-o em ordem, com disciplina a bordo, porque um dia a “Ilha dos Amores” aparece. A História é uma máquina interna que se manifesta por fenómenos externos exactamente como um relógio manifesta o seu mecanismo interno por intermédio dos ponteiros. Nós, muitas vezes, somos levados a pensar que a História é feita pelos homens como poderá pensar um indivíduo desconhecedor da mecânica de relojoaria que tudo, lá dentro, se move em virtude dos ponteiros se moverem… Mas é exactamente o contrário.
CAPÍTULO I
Teria sido o Padre Raul que lançou o xadrez erudito em Alverca, por intermédio da “TELE ESCOLA”, juntamente com Capelo, e Fernando Alves na década de 60.


Há indicações de que o xadrez terá sido jogado pela primeira vez em Alverca com alguma animação, na Leitaria Paraíso, nos finais da década de 60 princípios de 70. Era ali que alguns jogadores se reuniam regularmente para jogarem, mas ainda como passatempo. Por ali teriam passado o Sr. Virgílio (dono da Leitaria) o velho “Seminário”, o Sr. Capelo o Sr. Gouveia, o Sr. Renato Parra, o Sr. Manuel Leite e também os jovens daquela época; António Peixeiro, Manuel Rocha, Vítor Franco, João Franco, Carlos Lobo, José Almeida, Henrique Martins, Francisco Airoso, Fava, e outros. Esta juventude imprimiu alguma animação própria e natural nas suas idades. Parece que também no C.P.M (Mague), se começou a jogar xadrez nos tempos livres, em princípios dos anos 60 e teriam sido os Engenheiros Vinga Martins e Henrique Sequerra, os primeiros a praticarem-no ali. Manteve-se com fraca animação até finais da década de 70, princípios de 80, só para os «empregados». Nos princípios da década de 80, com a chegada de Vítor Franco e Justino Mendes foi-lhe dado um grande impulso e, mais tarde com a colaboração de Walter Tarira, também um entusiasta, nasce o xadrez de competição e começam a jogara-se todos os torneios do INATEL. Em 1985, o CPM (MGUE) é federado conseguindo atingir os quartos de final da Taça de Portugal, defrontando o Boavista, onde perdeu por 2,5 a 1,5. Nos últimos anos ainda jogaram no CPM, Vítor Franco, Justino Mendes, Orlando Nunes, João Franco, Vinga Martins, Henrique Sequerra, Manuel Semiano, Adriano Pinhal, José Almeida, José Lopes, Walter Tarira, Emídio Fernandes, João Deodato, Joaquim Aníbal de Oliveira, Luís Duarte, Jesus Santos, Mário Cardoso e muitos outros, todos empregados da Mague, à excepção de Joaquim Aníbal de Oliveira e Mário Cardoso. Em 1987 e com a saída de Walter Tarira o xadrez acaba.

Na década de 70, Manuel Rocha; Vítor Franco; Henrique Martins; Fava; João Franco, Carlos Lobo, Henrique Martins, Francisco Airoso e outros, praticaram muito xadrez em vários pontos de Alverca acabando por lhe darem alguma animação local, mas ainda fora das competições oficiais. Manuel Rocha e Vítor Franco foram os primeiros jogadores a imprimirem alguma animação local, tendo ambos passado também pela Leitaria Paraíso, Livrope,“Salão de chá”(actualmente a Ramilux), Snakbar“Flor do Lis”, Café do “Salgueiro”, F.C.Alverca, etc. Vítor Franco e Manuel Rocha, ainda muito jovens já davam simultâneas, com o objectivo de captarem jovens para a modalidade. Foi, por exemplo, Vítor Franco que ensinou João Franco a jogar! O mesmo aconteceu a Carlos Lobo e Francisco Airoso que aprenderam com Manuel Rocha. Esta primeira fase teria derivado da animação que o Campeonato do Mundo, disputado em 1972 entre Boby Fischer e Boris Spassky, despertou na opinião mundial.

Derivado ao regime político em vigor na altura, houve algumas dificuldades na sua disseminação. Há indicações de que a polícia política daquele tempo, (PIDE/DGS), teria feito algumas incursões na Livrope. Passados alguns anos e já nos finais da década de 70, ainda em fase embrionária, o xadrez teria atingido já um nível interessante porém, com poucos praticantes e sem competições oficiais. Ainda não era Federado.
A mudança política surgida após o 25 de Abril de 1974, veio facilitar um pouco o seu desenvolvimento. Alguns dos entusiastas desta cidade, entre eles Manuel Rocha, Vítor Franco, João Franco, Henrique Martins, Carlos Lobo, Francisco Airoso e outros, começaram finalmente a jogar xadrez federado. Este acontecimento dá-se nos meados da década de 70, em Alhandra. Ali o xadrez estava muito mais implantado do que em Alverca; nomes como Calçada, (o homem que ensinou Vítor Franco a jogar) Santos da TAP, Patinhas e Pires, foram importantes também no xadrez em Alhandra. Mais tarde, teria sido Alexandre Dias quem deu o empurrão final, no sentido federativo. Foi provavelmente a Sociedade Euterpe a primeira colectividade a ter xadrez em Alhandra no entanto, o xadrez federado parece ter nascido na Juventude Alhandrense, pela mão de Alexandre Dias.
Curiosamente, os xadrezistas que engrossaram as primeiras fileiras da Juventude Alhandrense no xadrez federado, não eram dali; a sua maioria era de Alverca!
Porque razão teria sido Alhandra, a pioneira no xadrez concelhio?
Porque razão os clássicos do xadrez em Alhandra, mais tarde não o jogaram na forma federada?
Haverá alguma relação entre xadrez e política? Se houver, qual será?
Será o xadrez um jogo de intelectuais? Se é, porque razão se implantou primeiro num mundo operário, como Alhandra?

Brevemente seguirá o 2º Capitulo
 II CAPÍTULO
 
 
Walter Tarira apoiado pelo Sr. João Ferreira Estevens Costa, Presidente da Direcção da SFRA, funda, em 14 de Dezembro de 1985, nesta Colectividade, uma secção de Xadrez. Nasce assim em Alverca o xadrez sério, o xadrez federado.
 
A SFRA tinha só um tabuleiro de xadrez de cartão já bastante desgastado e algumas peças com defeitos, infligidos pelo tempo. Do INATEL veio uma dúzia de tabuleiros em cartão que depois de montados numa estrutura de madeira, formaram um belíssimo conjunto. As peças e os primeiros cinco relógios foram comprados na FPX, presidida na altura por Joaquim Durão. Foram estes tabuleiros que iniciaram a primeira fase de animação, que funcionou no salão principal onde também se jogavam cartas, dominó, damas e dados mas, pouco a pouco, o salão foi-se enchendo de jovens e, de tal forma foi a enchente, que o contágio alastrou às camadas dos mais idosos. Estava assim concluída a fase do arranque.
 
João Estevens Costa, o Presidente amigo do xadrez, constatou que a modalidade tinha tomado uma dimensão tal, que já não podia continuar no salão por ser incompatível com os outros jogos. Em xadrez era preciso estudar! Em xadrez era preciso reflectir e também era necessário haver silencio e a concentração de jogadores era factor primordial. Os outros jogos, muito barulhentos por natureza, não permitiam aos xadrezistas as condições mínimas exigidas e assim, construiu com alguns materiais seus e também mão-de-obra, a primeira sala de xadrez. Acabava de nascer o primeiro espaço exclusivamente para a prática, análise e estudo de xadrez.
 
Nesta sala deram aulas de xadrez gratuitamente e a quem quis, Vítor Franco e Manuel Rocha. Foi esta a primeira escola aberta de xadrez a funcionar em Alverca. Tinha horários, temas encadeados num programa previamente elaborado, trabalhos práticos e teóricos e, até mesmo, trabalhos de casa.
 
Por ali passaram entre 1986 e 1988, Marco Santos, Paulo Silva, João Cunha, Miguel Batista, Nuno Lino, Rui Muacho, José Cotrim Antunes, Luís Caldeira, Carlos Lobo, Manuel Rocha, Henrique Martins, Luís Alves, Nuno Leitão, Pedro Durão, Walter Tarira, José Lopes, Rui Marques, Joaquim Croca, Herminio Mesquita, Américo Mesquita, Paulo Galaricha, Paulo Caldeira, José Pardal, Jorge Fidalgo, João Franco, José Almeida, José Carpinteiro, António Muacho, Paulo Falé, Jorge Correia, Jorge Cunha, Josué Romão, Mateus Gonçalves, e muitos outros cujos nomes se apagaram no tempo; por vezes não havia lugar vago na sala. É de referenciar que a música, principal actividade da Colectividade, ligava muito bem com o Xadrez.
 
Estávamos no princípio do ano 1986 quando Vítor Franco teve uma ideia brilhante. Um “OPEN” de partidas rápidas, 5 minutos. Foi a primeira grande competição xadrezista em Alverca que teve assim o seu primeiro grande torneio de xadrez, com participantes oriundos de todo o distrito, ultrapassando a centena de jogadores. Foi realmente um espectáculo.
 
 
Em 1986 havia xadrez em Alenquer, Ateneu de Vila Franca de Xira, Cooperativa Alves Redol de V.F. Xira, Juventude Alhandrense, CP da MAGUE Alverca, Quintanilho de Vialonga, Póvoa de Stª Iria, Vialonga, e a recém chegada SFRA. Totalizavam nove Clubes com cerca de 200 jogadores onde predominavam os iniciados.
 
Em 1988 e dada a grande concentração de Clubes e jogadores no Concelho, a A.X de Lisboa realizou em Alverca o Campeonato Individual de Lisboa, no CP da Mague.  

Sua Majestade, o Principiante

O grande Tartakower dizia: «No xadrez, se o erro não existisse, precisaria de ser inventado». Nesse caso, implicitamente ele consagrava a figura modelar do Papalvo – esse mestre - no sedutor ofício de errar.

Todo Papalvo tem uma imortal na cabeça!... A tragédia é que se um dia essa imortal acontecer, ele dificilmente terá a chance de vê-la publicada, irradiando para todos a beleza de sua inspiração.

Por Papalvo deve-se entender o principiante ou mesmo aquele que joga há algum tempo, mas que, devido aos seus afazeres, não tem tempo para se esmerar na técnica das aberturas, do meio-jogo e dos finais.

O grande engano, portanto, é julgar que um Papalvo seja um néscio na vida comum, uma pessoa sem muita destreza mental. Muito pelo contrário! Conheci (e conheço) Papalvos inteligentíssimos, capazes de se emular com as mais consagradas cerebrações conhecidas. No entanto, a sua inaptidão no manejo dos trebelhos aliada à sua falta de tempo tornam-nos presa fácil até de bisonhos adversários.


[Event "Circuito Loures"]
[Site "Loures"]
[Date "2004.06.19"]
[Round "?"]
[White "Loureiro, Ernesto"]
[Black "Ulyanovskyy , Viktor"]
[Result "1-0"]
[ECO "B03"]
[WhiteElo "1537"]
[BlackElo "2254"]
[PlyCount "35"]
[EventDate "2004.06.19"]

1. e4 Nf6 2. e5 Nd5 3. d4 d6 4. c4 Nb6 5. f4 dxe5 6. fxe5 Bf5 7. Nc3 e6 8. Nf3
Nc6 9. Be3 Nb4 10. Rc1 c5 11. a3 cxd4 12. axb4 dxe3 13. c5 Nd5 14. Bb5+ Ke7 15.
Nxd5+ Qxd5 16. Nd4 Qxg2 17. Nxf5+ exf5 18. Qd7# 1-0

O Campeão Casimo 19

Acabou agora o campeonato do Mundo de Xadrez da Líbia. E num match a fazer lembrar os tempos do Chigorin (pelo reportório utilizado e pelo estilo das partidas), lá ganhou o amigo Casimo 19. Assim é mais fácil de dizer. Quem é amigo?



Kasimdzhanov e Adams.

Ter um campeão do Mundo como o amigo Casimo é, pelo menos, espantoso. Será que o Xadrez ainda está pior que Portugal (O País Mayer)?

O maior Rei do mundo, descrito por um amigo

1ª Parte

- O Monarca mais pesado da História é Taufa´ahau Tupou IV, de Tonga, com 209,5 kg quando tinha 58 anos, em 1976; mas espera que há mais!

- Os Tonganeses adoram comer e, por isso, a grande maioria da população está (muito) acima do peso. Não perdoam nem mesmo ao “Pteropous tonganus”, um portentoso morcego com 1 metro de envergadura. Esta “especialidade” é acompanhada com batatas a murro e é sempre servido um “sumo de queijo” da reserva do Rei, à temperatura ambiente e que dizem combinar muito bem com aquele prato.

O “Rapatachos ”, assim se chama o meu amigo, estranhou essa e outras esquisitices (entenda-se mariquices) onde os homens usam saia e correm o risco de prisão se saírem à rua sem camisa. Mas adorou Tonga. Lá, até é amigo do Rei!

- Aos domingos, em Tonga, ninguém pratica desporto e nem mesmo conduz veículos automóvel. Dito assim pode parecer-te que se trata de um País fundamentalista, regido por regras medievais. Nada disso! Há total liberdade em Tonga, direito garantido pelo último monarca absolutista do Pacífico, o robusto rei Taufa'ahau Tupu IV, um soberano muito “camuflado”, (embora se note que não é de raça branca.)

- Conheci-o por acaso num barzinho de Tonga onde se encontrava acompanhado da namorada e, ao saber que eu era Português, Tupu IV ficou eufórico e, imediatamente, declarou-se um entusiasta da música popular Portuguesa! Até me disse que tinha estudado em Portugal e que tinha sido colega de curso do filho do principal Banqueiro Português “Rapatudo” accionista principal da Fábrica de “Tangas” em Tonga. Fui gentil e ofereci-lhe um CD dos Xutos & Pontapés e o Rei retribuiu convidando-me para jantar em sua casa. Não me fiz rogado e lá fui até ao seu Palácio, estilo “Vitoriano.”

- Apresentei-me cerca das 15H30 locais e, logo como entrada e a titulo de um simples lanchezito, (compasso de espera até ao jantar) o Rei mandou servir-me uma sanduíche com um pão quadrado de 2,13 m de lado e que, só de recheio, tinha 34,29cm de altura e de pura pasta de atum com pepino lá da terra!

E tu conseguiste “dar a volta” à sanduíche?

- A volta! Dei-lhe várias só para disfarçar e ganhar tempo. Se aquilo era uma entrada, o que viria a seguir para o jantar? Mas que fique desde já bem claro que, no “sumo de queijo” não toquei! Sorrateiramente, afastei a vasilha para bem longe de mim. Essa já eu conhecia de Portugal! Uma vez num Restaurante (que não digo o nome) na mesa ao lado da minha alguém pediu a dita bebida e ouvi muito bem o empregado dizer; só lho sirvo no WC.

Ah! Agora já entendo porque afastaste a vasilha para longe de ti!

- O Rei, enquanto ia degustando uma sanduíche igualzinha à minha, observava-me de soslaio até que começou a falar e, para minha surpresa, de Xadrez!

- Meu caro Rapatachos; mas é esse mesmo o seu nome?
- Saiba Vossa Senhoria que infelizmente não é; “Rapatachos” foi uma alcunha que me puseram e da qual nunca consegui livrar-me. – Calei-me e prestei-lhe toda a atenção, até porque a partir daqui nunca mais consegui entrar no uso da palavra.

- Sei que o Sr. é um exímio jogador de Xadrez e, através da minha rede pessoal de Internet, banda larga, ligada directamente ao Satélite do ananás, obtive todos os dados escaquísticos a seu respeito; também estou a par das evoluções que os Portugueses pretendem imprimir ao regulamento do jogo e, por tudo isso, considere-se desde já “contratado”, para me ensinar sobretudo os “finais”; aberturas e meio jogo não preciso e este contrato tem a duração de dois meses. Como sabe, sou o Rei deste País e por isso, só por isso, não posso perder qualquer partida. Vamos começar pelos finais mas, os de Rei, vão ficar para o segundo contrato; aproveito para lhe dizer que nessa altura não precisa de comprar passagem de regresso.

A 2ª parte seguirá brevemente

Comer o Rei (salvo seja)

Pois é... O verbo “comer” sempre constituíu para mim um valor, um apelo, quase diria um troféu! - falando de gastronomia, bem entendido (em que pensavam, seus pervertidos?) – por isso julgo que esta questão de comer ou não o rei entrará mais no termo “carcomer” (utilizado no Brasil e de origem incerta mas com o significado de roer madeira) do que propriamente no termo derivado do latim comedere, que significa ingerir alimentos. Mas porque diabo estou eu aqui deambulando nos meandros da semântica, quando deveria sim participar em tão douta discussão sobre as alterações das regras da FIDE porventura a serem propostas por Portugal em reuniões onde a representação nacional é absolutamente imprescindível para o futuro deste desporto à escala global? Assim, reduzindo-me de novo à minha insignificância de ignorante militante, apenas me resta lançar mais um repto àqueles que prometem pensar nos assuntos (adoro quando dizem isso!): E que tal criar uma regra em que só é possível comer o Rei (utilizando qualquer das receitas) depois de devidamente comida e digerida a Dama? É um princípio homófobo, eu sei, mas evita que os Reis, na presença das ditas, sejam comidos por cavalos...ou burros (valha-nos isso).

PDI

O Gigante em acção
Em xadrez pensado, um jogador que tenha atravessado o cabo das Tormentas (xadrezísticas), isso após os 60 anos de idade, sofrerá um notável e natural decréscimo no rendimento do seu jogo, principalmente depois de a partida ter ultrapassado um certo limite de tempo. Esse fenómeno tão comum e inevitável é conhecido nos meios xadrezisticos como “síndrome da terceira hora”.
O conhecido e estimado xadrezista Augusto Dias, não obstante a sua idade septuagenária, é um dos mais ferrenhos e assíduos participantes de todos os tipos de competição. Um dia confessou-nos no Clube que, após a terceira hora de jogo, sentia, aliás, pressentia a presença de alguém às suas costas, um gigante nebuloso (seria o titã Adamastor, de barbas negras e dentes amarelos, cantado em versos por Camões?), que, sorrateiro e mefistofélico, voz cavernosa, lhe sussurrava anestesicamente ao ouvido:
-- Joga grande Augusto!

E o seduzido Augusto, num estupor de marujo apaixonado e bêbado, vai lá e... pimba! Comete uma patada dessas de gritar aos céus. É evidente que uma melhor tradução para isso seria fadiga, stresse – provocando um curto-circuito mental de proporções lamentáveis.
Um caso típico é a sua partida contra o Viktor Ulianovkyy quando, tendo fisgado um peixe enorme (ficou completamente ganho),deixou o seu ouvido ao alcance do canto das sereias...
Pior: do gigante descomunal!


Desporto e Assassinatos

Tal como todos sabemos, gostemos ou não de futebol, ontem essa modalidade acabou. Deixou de existir. Venceu o Nada.

Mas, perguntar-se-ão, este blogue não versa o Xadrez? É certo que sim e não foram gratuítas as palvras do parágrafo anterior. Sucede que o Xadrez também corre risco de vida! Querem assassiná-lo, tal como fizeram com o futebol!

No entanto, as mortes destas modalidades desportivas (consumada no futebol e tentada no Xadrez) têm consequências bastante diferentes. No caso do futebol, suponho que o cadáver se aguente aparentemente incorrupto durante mais alguns meses, ou mesmo anos. Muitos nem sequer desconfiarão de nada! E, provavelmente, pouca diferença fará. A máquina funciona já sem maquinista.

No caso do Xadrez, o problema é mais sério. E a tentativa de assassinato é ainda mais niilista, é ainda mais atroz! Trata-se da busca pelo mínimo denominador comum, da redução do que é grande e nobre a algo simplificado e banal.

O primeiro atentado, nos anos 90, visou os ritmos de jogo, algo bastante prigoso e de consequências imprevisíveis. Ainda está em curso! E com que argumentos! Para ser "televisonável" diziam alguns! Tontos! Nem que as partidas tivessem 12 segundos! Nunca o Xadrez será fruto apetecido pela indústria da televisão. Serviu apenas para retirar peso à partida de Xadrez, para a "aligeirar".

O segundo ataque veio dos programas de computador, também nos anos 90. Mas, com esses, teremos que aprender a viver, tristemente, assim são os desígnios do progresso.

Recentemente, surgiu o terceiro atentado, o mais letal de todos e que almeja a morte completa do Xadrez! Trata-se da "jogodogalização" do nobre jogo. Consiste na simplificação das regras para a sua melhor compreensão. Valha-me Caissa!

Em altura de muitas mortes, evitemos mais esta, quase anunciada, a do Xadrez.

(Que outros deuses se apiedem das gentes de compreensão lenta! Caissa não é conhecida por ser piedosa com eles.)

O Treinador moderno em plena actuação xadrezística

3ª Parte


«Postas as coisas nestes termos, o GM Treinador Miguel Roriz de Vasconcelos e Sá, normas e curso de Treinador tirado nos States, Academia de Xadrez de Alguidares de Baixo, entendeu que a única solução era avançar a direito, prosseguindo o caminho até agora trilhado, mas ainda com mais força e convicção. Por certo, que aquilo que tinha aprendido nos States e que estava escrito em muitos livros, não podia estar errado – isto era uma evidência. Assim sendo, a culpa, quer quisessem, quer não, só podia ser dos jogadores.

Tomou pois a inovadora medida, única à face do planeta, de retirar um jogador para fazer entrar na equipa o psicólogo. Claro que este não jogava (um psicólogo só pensa e assim perdia sempre por tempo). Lá gastou mais uns dois mil contos em aulas para o dito licenciado, porque este nunca se tinha sentado em frente a um tabuleiro na sua vida e, por isso, não sabia jogar. De qualquer forma, ele só foi a duas aulas (e a primeira foi apenas de apresentação), porque depois, aborreceu-se a valer, quando soube que tinha de atravessar o Tejo num barco e de cabeça para baixo, molhando os cabelos, antes do início de cada jogo, para criar “pulmão” prás grandes contendas que se avizinhavam, até porque não sabia nadar. Daqui resultou mais uma despesa adicional, esta de pequena monta, que consistiu na aquisição duma bóia, não se desse o caso do barco virar e o ilustre psicólogo morrer afogado, ainda mais sem seguro, porque nesta altura, já nenhuma Companhia Seguradora queria correr esse risco.

Desta forma a equipa apresentou-se nas diferentes provas com um jogador a menos e um psicólogo a mais. Como se o esforço já não fosse grande, ainda tinham que aguentar com um pendura, (cinco no carro) que não parava de enunciar lances e mais lances, sempre com mate em três. Mas o que mais custava aos pobres jogadores, era aturar os supostos incentivos numa linguagem que mal decifravam, porque não era inglês, nem português, mas antes uma mistura horrível de ambas. É óbvio, que isto só aconteceu até metade do campeonato, altura em que, sem que alguém se apercebesse, os desgraçados começaram a usar tampões nos ouvidos.

O pobre Conde, esse, já nem queria ouvir falar mais no campeonato. E, a pretexto dum negócio qualquer (a verdade é que ele não queria ficar definitivamente xoné), rumou ao estrangeiro. Qualquer país lhe servia, desde que a língua que lá se falasse não fosse o inglês.

Foi desta forma que conseguiu evitar a humilhação de verificar, que pela primeira vez na vida do seu querido Clube, se tinha quedado pelo nono lugar da classificação geral, apenas dois lugares à frente do último.

Mas foi também por essa razão, que não assistiu, logo após o termo da penúltima jornada e na preparação que faziam no Tejo (criar pulmão) antes de iniciarem a jornada a uma manobra curiosíssima, muito bem disfarçada por todos os jogadores, que, como quem não quer a coisa, fizeram virar o barco, donde resultou o dito psicólogo ter caído à água, quase ter morrido afogado e ter dado entrada no Hospital de Vila Franca de Xira com uma fortíssima gripe. Certamente que o velho Conde, da estirpe dos Castel – Branco, teria rejubilado com a situação. Em contrapartida, ficaria triste por saber que a candidatura às competições internacionais era impossível, dado o mau desempenho nas provas nacionais.

Quanto aos resultados de Tesouraria e apesar de tudo, não foram bons nem maus – foram zero. Ou seja, não houve lucro nem prejuízo, mas em contrapartida, o Clube teve o pior desempenho económico de toda a sua vida – recorde absoluto. Em abono da verdade, dever-se-há dizer, que se não fossem as aulas de português do já mencionado licenciado; não fosse o dinheiro despendido com o tratamento da sua gripe e com a aquisição da já referida bóia, a Colectividade teria um lucro, que deveria somar uns cinco contos. “Como se compreende, isto são tudo despesas extraordinárias. Caso contrário...” – dizia o GM Treinador Miguel. Caso contrário, teria, na mesma, sido o resultado mais baixo de toda a existência do velho Clube. Mas isto, o peso pesado dos States, GM Miguel Treinador, não dizia.

Mas dizia, poucos dias depois, que era fundamental contratar uma equipa de treinadores só de finais, constituída só por GMs (“Os States têm os melhores do mundo” – repetia ele vezes sem conta), que analisasse a situação em pormenor. Eu próprio vou colaborar com eles, porque tenho muitos conhecimentos sobre o assunto. De facto, tinha tido uma disciplina de finais de peão e Rei contra Rei, no curso que tirou nos Estados Unidos, se bem que se dissesse que não tinha aparecido em mais de metade das aulas. Ou então, era vingança do Director Financeiro do GXPC, como desforra pelos cabelos brancos ganhos nos últimos dois anos.

No entanto, logo no início do ano civil seguinte, o nosso caro GM Treinador lembrou-se de atribuir prémios de jogo, através duma matriz que só ele sabia trabalhar e que tinha aprendido nos States. Parece que a dita matriz só tinha uma linha e uma coluna e terá sido feita num bar do Bairro Alto, também a altas horas da noite. Mas o que interessa, é que no pequeno rectângulo, lá estava o nome do célebre psicólogo, que assim embolsou mais três meses de ordenado, como prova do seu sacrifício em prol do colectivo, que era a equipa – ele, que até quase morrera afogado.

O Conde da Pasteleira continuava ausente em Itália, tendo delegado os mais amplos poderes no seu Vice – Presidente, o Marquês de Ipiranga, só para não aturar o GM Treinador e aquilo a que ele chamava de apêndice psicológico do supra – mencionado.

O Marquês era quase a fotocópia psicológica do Conde. E dizemos quase, porque a única diferença se prendia com a reacção de cada um perante a diversidade. O segundo tinha um porte mais aristocrático e disfarçava as emoções, enquanto o primeiro reagia com um choradinho miúdo e nervoso, mal se via perante uma aflição, mesmo que de pequena monta. E foi assim, que no dia da chegada dos GMs auxiliares dos States, se plantou nas instalações do Clube, acompanhando-os à distância de três metros, sempre com um lenço branco na mão, pronto a eliminar qualquer lágrima furtiva que surgisse. A qualquer interpelação dos americanos ou do GM Treinador, começava sempre por responder: “Ai, ai, ai”. E como se depreende, limpava mais umas lágrimas.

Mas nem esta contrariedade, que valeu ao Vice – Presidente a alcunha do Marquês do Ai – Ai, foi suficiente para desviar o rumo do GM Treinador Miguel. O dito bem podia chorar, só por pensar no dinheiro que o Clube ia desembolsar, que o GM Treinador não se incomodava e os “grandes mestres auxiliares” muito menos.

A conclusão destes entendidos, após o estudo exaustivo de todas as partidas jogadas foi bem clara: a situação era má. O GM Miguel, enquanto parte integrante da equipa de trabalho, acrescentou: era má devido a erros do passado, quando em devido tempo, talvez há uns cinco anos, não se promoveu à remodelação da equipa e dos métodos de treinos então usados.

Quanto às medidas aconselhadas, lia-se no relatório dos americanos: importa aumentar o poder competitivo da equipa, sob pena dos restantes «negócios» caírem por terra. Ao que o Treinador acrescentou: impõe-se, por isso, a rápida modernização da equipa, através de modernos sistemas de auto – controlo interno, que em situações reais, in time, propiciem a correcção imediata dos desvios.

E foi assim que na época seguinte, a equipa dos quatro magníficos se viu reduzida a dois, já que os restantes dois tabuleiros foram ocupados pelo incontornável psicólogo e por um GM auxiliar. Desta vez, fruto da experiência anterior, o GM Miguel já não caiu no erro de comprar lições de aberturas e defesas para o novo recruta. Procedeu antes, à aquisição imediata de uma bóia, de cor diferente da do psicólogo, para que estes não se confundissem, caso caíssem à água, nos treinos de “Pulmão”.

Já o Marquês de Ipiranga não precisava de bóia, como se constatou quando o pobre homem, cansado de chorar e no auge duma crise de pessimismo, se quis matar atirando-se à água. Como, ao contrário dos outros, sabia nadar, não morreu.

Mas antes do início da época houve ainda uma cena digna de registo, quando o Treinador se dirigiu aos atletas (expressão que utilizava para designar os jogadores). Não vamos transcrever todo o discurso, pois seria maçador relatar três horas de frases ininteligíveis, repetitivas e sem graça. Mas, a título de exemplo, citemos algumas delas: “porque vocês, mesmo a jogarem ás cegas, conseguiriam ganhar todos os jogos”; “porque eu vou mais longe que o meu amigo Gates, mais alto que o meu compadre Ford, mais rápido que o meu colega Morita”; “porque a minha obra ficará para a posteridade e eu serei sempre conhecido pelo Treinador Uma Frase, teoria de treino que ajudei a criar e que desenvolvi”.•

Os desgraçados dos jogadores bem teimaram, apesar da sua inferioridade numérica: substituíram as peças dos tabuleiros, deram montes de simultâneas ás cegas, leram todos os manuais de aberturas existentes lá no clube até adormecerem de cabeça nos tabuleiros, dormiam nas suas casas com o Pachman a fazer de almofada e suaram como nunca; mas nada! Aqueles dois pesos mortos (é bom que se diga, que em conjunto, somavam 200 quilos) não permitiam qualquer veleidade. Ainda por cima com o minhocas do GM auxiliar, que não parava de escrever e dar instruções para o psicólogo. Este, já eles conseguiam aturar, desde que usassem os célebres tampões do ano anterior. Agora aquele chato, sempre a escrever no seu célebre bloco de apontamentos (mais tarde, alguém copiou este método) e a ditar instruções para o outro, é que era impossível de suportar, por muito que não ouvissem nem compreendessem o que dizia.

Mas vingaram-se, ah isso é que se vingaram! Antes de cada Jornada, nos treinos do Tejo, viravam o barco e... todos ao banho. O que salvava os dois americanos eram as bóias, por sinal de boa qualidade. Mas os jogadores ainda não estavam satisfeitos. Por isso, na última jornada da temporada, e por certo sem querer, o Zé do 1º tabuleiro, glória máxima do desporto nacional, muitas vezes convocado para as Olimpíadas e já farto do psicólogo, enfiou-lhe com uma Torre Stauton N.º8 na cabeça, que o deixou zonzo.

Nesse ano, o GXPC ficou exactamente em último lugar, tendo baixado de divisão.

Foi então que tudo se precipitou. O pobre do psicólogo, que nunca se tinha curado da pancada na cabeça, apresentou o pedido de demissão e rumou de imediato aos Estados Unidos, onde iniciou tratamento psiquiátrico rigoroso. O treinador auxiliar, na sequência duma grave pneumonia, foi internado no Hospital de Santa Maria onde percorreu todas as especialidades médicas. De facto, veio-se a descobrir que era mulher e estava grávida, que tinha uma intoxicação provocada por um peixe contaminado que engoliu num dos seus muitos mergulhos e muitas outras doenças, que não importa aqui relatar. Ah, falta dizer que acabou em Psiquiatria, tendo sido matéria de estudo em muitos Congressos, dada a estranha circunstância de, a partir dessa altura, trocar somas com subtracções e divisões com multiplicações, e ter inventado uma nova operação algébrica, que consistia em calcular uma potência em que o expoente se elevava à base e o resultado dava sempre zero. É possível que esta parte esteja mal explicada, dada a dificuldade do cálculo e a política de desinformação que os alunos de Bio estatística daquele hospital escolar levaram a cabo, zangados por terem de aprender mais uma fórmula. Mas este americano, apesar de tudo e mesmo sem ter conseguido demonstrar a sua teoria, teve um gesto de extremo carinho: deu um nome português à sua descoberta – Ribeira do Sado. Anos mais tarde, pessoas mais avisadas, até fizeram uma música sobre o dito curso de água, certamente em homenagem ao ilustre GM treinador auxiliar (pensamos nós).•

Mas os problemas não se ficaram por aqui. Todos os jogadores se demitiram, transferindo-se para o Clube rival, o que levou o GM Miguel a pensar entrar em Torneios mesmo sem jogadores. Perdeu na secretaria, porque a Federação Portuguesa de Xadrez considerou que isso era ilegal.

Cabelos desgrenhados, mais baixo uns 10 centímetros, ele que pouco mais media que um metro e meio, o Marquês de Ipiranga deixou de chorar e foi-se ao Treinador com unhas e dentes (literalmente falando), tendo este baixado ao hospital e, posteriormente, participado judicialmente contra o agressor. O processo ainda andou nos Tribunais, mas foi arquivado, porque atendendo à altura do Marquês, este foi considerado menor. Para o efeito, até juntou uma factura em seu nome, de compra de roupa no Corte Inglês Infantil.

Perante estes factos, o Conde, que já estava totalmente curado da sua gastroenterite, regressou de Itália para pôr ordem na casa. Com muita pena sua, mas para alívio dos seus intestinos, demitiu o Treinador, não sem lhe dar uma choruda indemnização, que atirou o Clube para uma quase falência, salva no último instante pelo capitalista e benemérito Senhor Sá, pai do ilustre GM Miguel.

Resta acrescentar, para concluir a história, que este último rumou a um pequeno país de África (daqueles que muito dificilmente se localizam no mapa), onde teve oportunidade de ensaiar, de novo, as suas teorias de psicologia no xadrez (ou será xadrez na psicologia?) ao criar e administrar uma fábrica de descascar bananas. A última notícia sobre si que chegou a Portugal, dava-o como perdido na selva, na sequência duma fuga a que foi obrigado, quando teve a ideia de contratar um psicólogo para convencer os macacos a não comerem aqueles frutos directamente das árvores.»

NOTA: Pensem bem nesta história, todos aqueles que pensam contratar um Treinador para Xadrez.

O Treinador moderno em plena actuação xadrezística

2ª Parte

«- E agora, vou dar-vos a oportunidade de falar. Um de cada vez e que fique já definido, que cada um de vocês só tem direito a uma frase. Depois, hei-de aconselhar-vos um livro sobre este método, que devem ler com a máxima atenção. Comecemos por você, caro Director Financeiro.

- Bem, posso dizer-lhe que a situação económica do Clube é óptima, porque tem vindo a acumular resultados positivos elevados ao longo dos últimos anos, sempre superiores a 10 contos, ao passo que os indicadores financeiros, como o da solvabilidade e o do fundo de maneio, são elogiados pela banca em geral, sendo uma garantia da nossa capacidade de negociação junto das respectivas instituições.

- Muito bem. Agradeço a sua curta intervenção e percebo o seu ponto de vista. Depois analisarei melhor os indicadores, mas desde já lhe digo que vou mudar muita coisa nesse campo. A mim, o que me importa é o EBITDA. Mas eu depois explico-lhe isto melhor, porque este é um indicador muito complicado. Agora o senhor Director Comercial, se faz o favor.

- A área comercial tem apostado em dois vectores principais com excelentes resultados, que se traduzem, quer no aumento das quotas, quer no crescimento do número de sócios, fruto de campanhas acertadas, que têm diversificado e promovido a nossa imagem, que aproveitam o bom desempenho da nossa equipa dos quatro magníficos e têm, igualmente, apoiado a nossa política de dinamização dum cada vez maior número de delegações espalhadas por todo o país, que por sua vez contribuem para o fomento da modalidade. Esta nossa iniciativa altruísta tem tido resultado fantástico se......

- Ei, espere aí. Você já vai na segunda frase. Desculpe, mas não pode ser. É uma questão de princípio.

- Mas, se me permite, o que vou dizer a seguir é de extrema importância!

- Não, não pode ser. Já lhe disse, que é uma questão de princípio. Quando ler o livro, vai perceber. Já nos fez perder tempo. Já disse três frases, quando era só uma. Time is money, nunca se esqueça deste princípio básico. Agora quero ouvir o Director Desportivo.

- Bem, Senhor GM Treinador, como sabe o GXPC tem um longo historial, fruto não só dos seus bons resultados desportivos, mas também pela ética como se comporta neste mundo extremamente competitivo que é o do Xadrez, facto que nos tem permitido granjear uma enorme popularidade e possibilitado resultados de prestígio, que com facilidade até se angariam fundos em qualquer ponto do país e do estrangeiro.

- Muito bem! Isto é,... muito mal! Muito mal, porque o nosso Clube nunca foi campeão de Portugal Sê-lo-emos sob a minha batuta, no máximo dentro de três anos.

E esta foi a grande revelação do GM Miguel, dita em tom decidido e suficientemente alto para que todos a ouvissem – declaração solene que já trazia preparada desde que soube que seria o novo Treinador da Colectividade.

Fez-se então um silêncio absoluto, que desfrutou com prazer e volúpia. Mas o silêncio manteve-se e, porque a sua reacção não sentiu o efeito desejado, quem acabou por se sentir baralhado e desconfortável foi ele próprio.

- Mas então você não diz nada? Acomoda-se?

- Desculpe Senhor GM Treinador. É que pensei que só podia dizer uma frase.

- Não, não. Desta vez pode falar, porque é na sequência duma pergunta minha.

- Ah, não sabia. A verdade, é que o mundo da competição é muito difícil e nós não temos as condições dos outros Clubes. Falta-nos jogadores de elite e maior competitividade interna. Ficamos, habitualmente, em segundo ou terceiro lugar, sendo inclusive o Clube com maior palmarés. Mas a nível internacional, apesar do nosso honroso esforço, quedamo-nos por lugares bem mais modestos e isso só nos Subes.

O Treinador fingiu estar a pensar maduramente no problema. Olhou para os seus subordinados, batendo com a caneta Mont Blanc, ao de leve, na secretária, num gesto há muito estudado, para concluir:•

- Pois eu repito-vos, que dentro de três anos seremos campeões do mundo! – e aguardou o efeito da frase.

Mais uma vez ninguém respondeu, pelo que foi obrigado a inquirir directamente:

- Então senhor Director Comercial, que tem a dizer?

- Pessoalmente acho difícil, mas se o senhor o diz! Podemos saber em que se baseia a sua previsão?

- Aí está, finalmente, uma pergunta pertinente. Claro que tenho todo o gosto em responder a essa pergunta. Farei até um bocado de escola sobre a matéria, para que, não apenas este Clube, mas todos os outros, reflictam e se reorganizem em função de novos métodos.

Mais uma vez aguardou o tempo suficiente para avaliar o efeito das suas palavras nos interlocutores de ocasião. É que o GM Treinador Miguel é daquelas pessoas que existem por si próprias, apenas voltadas para o seu umbigo. Tudo aquilo que o rodeia, apenas importa enquanto espectador atento do seu desempenho (alguns, teimam em classificar estes discursos como autênticos vómitos), que por si só vale, independentemente do julgamento de terceiros. Concluída a pausa, continuou:

- Tudo é uma questão psicológica. O que é necessário é saber gerir os recursos humanos. E estes existem apenas no mundo que os rodeia, não apenas o material, mas principalmente o mental, aquilo que nós, Grandes Mestres, queremos que eles vejam. Observem o caso dum pobre, que vive num barraco e a quem a Câmara dá um pequeno apartamento no local mais infecto que se possa imaginar. Como é que ele se sente? Feliz da vida! É psicologia – pura psicologia! E é isto que nós temos que incutir aos nossos jogadores. Fazê-los crer que são os melhores, que têm as melhores condições de treino e que se quiserem, até voam sobre os tabuleiros. O que lhes interessa não é a realidade, mas sim aquilo que pensam que ela é.

Mais uma pausa, fingindo estar exausto por expor tão difícil raciocínio, porque como ele costumava dizer, o verdadeiro trabalho e consequente cansaço, só existe naqueles capazes de definir estratégias e colocar a sua inteligência superior ao serviço dos outros. Posto o que, retomou o discurso.

- É por estas razões, que anuncio solenemente a contratação dum psicólogo para a equipa dos quatro magníficos, que a acompanhará dia e noite, se necessário for. Não um português, porque não acredito nas nossas escolas. Um dos States, porque eles estão anos-luz mais avançados do que nós. Por hoje é tudo. Vamos trabalhar.

Claro que ele saiu de imediato, fruto de uns assuntos urgentes que tinha de resolver com um banqueiro importante, que não podia mencionar, porque, dada a relevância da matéria, lhe tinha sido pedido segredo absoluto.

Também parece clara, a razão pela qual não podemos transcrever para estas páginas, os comentários que os três Directores trocaram, a sós, após a saída do GM Treinador Miguel. Mas para que não restem dúvidas sobre o tema abordado, apenas poderemos dizer, que de psicologia não tinha nada.

E assim foi: o GXPC, a mais prestigiada Colectividade do país, contratou um psicólogo dos States.

Findo o calendário competitivo desse ano, constatou-se que o Clube, apesar do extraordinário esforço do seu Treinador e do seu famoso psicólogo, se quedou pelo quinto lugar – a pior classificação dos últimos 12 anos. De imediato se procuraram explicações para o sucedido. Como era possível, que o GXPC, dirigido por um distinto GM Treinador, assessorado por um estrangeiro, ainda por cima dos States, ficasse apenas em quinto lugar?

Foi o que o GM Treinador Miguel procurou saber, depois de constituir uma Comissão, presidida por ele mesmo (quem melhor qualificado para o efeito?) para estudar os factos. Ponderados estes, emitidos uns vinte relatórios sobre o assunto, concluiu-se que a culpa era... dos jogadores. Verdade seja dita, que estes nunca se tinham habituado aos métodos do psicólogo e dos treinos que ele próprio ministrava, depois do auxiliar ter batido com a porta, ao constatar que o americano obrigava os desgraçados a lamberem todos os tabuleiros de competição até à exaustão e a comerem dois peões pretos ao pequeno almoço. Só nos treinos, claro, porque nas provas era proibido pelos regulamentos. Ah, também é bom que se diga, que em vez do habitual regime alimentar, à base de bife, leite e fruta, os obrigou a comer cachorros quentes e hamburgers, e a beberem coca – colas.

Do estudo também se concluiu, que a presença do psicólogo nos treinos não era suficiente, porque os jogadores portugueses tinham o defeito de rapidamente se esquecerem das instruções, voltando à realidade, quando se apanhavam longe do dito licenciado. E, naturalmente, que este distanciamento era mais prejudicial durante as provas. O Treinador ainda ensaiou atirar as culpas para os árbitros, mas faltavam-lhe meios de prova, como por exemplo, grandes penalidades mal assinaladas, entradas de carrinho, cotoveladas, etc..., como acontece no futebol. O motivo mais parecido que encontrou, foi quando um jogador adversário, em plena provae a jogar no 3º Tabuleiro (pertencendo-lhe a ele fazer o lance), caiu juntamente com a cadeira. Ele era capaz de jurar que tinha sido de propósito, mas a verdade é que o árbitro, nem sequer levantou a cadeira quanto mais o jogador, para assinalar o respectivo castigo máximo, perda por abandono. Lá se foi o argumento!

Também convém dizer que nesse ano o Clube reduziu drasticamente os seus lucros. Não porque as receitas tivessem diminuído, mas porque as despesas aumentaram assustadoramente. Tão assustadoramente, que quase dava o fanico ao velho Conde, que teve de se retirar para a sua quinta no Douro, para recuperar do abalo sofrido.»

Brevemente passarei à 3ª parte

Folclore Xadrezistico

Um dos mais fascinantes temas sobre uma partida de xadrez e que ninguém (ou quase ninguém) dá a mínima importância são os motivos daquele que foi derrotado, principalmente se o mesmo for um papalvo.
Quando um GM perde uma partida e tece alguns comentários a esse respeito, não falta quem lhe preste a atenção e saboreie as suas pertinentes observações.
Mas quando se trata de um papalvo? Aí, é fogo! Até parece que o papalvo só tem o direito de perder e chorar baixinho, para não perturbar a desprezível glória do seu algoz–quase sempre, um mestre de fraque.
Diante dessa situação incomoda, alguns amigos meus, irreverentes ou maldosos, propuseram que se crie um Departamento com a capacidade de atender e de escutar as lamuriosas
reclamações dos papalvos, que (não esqueçamos) é a matéria-prima que mantém os clubes a funcionar e avolumam os opens pelo mundo fora.
A seguir, apresentamos um esboço de formulário, esperando que outros, prejudicados ou não, nos mandem as suas sugestões para melhorar a sua feitura e atender a outras (são tantas!) reivindicações próprias dos papalvos
MINISÉRIO DA JUSTIÇA
Secretaria das Reclamações Peculiares
Órgão de Protecção aos Papalvos Desesperados
Formulário de Denúncias e Reclamações

(O Reclamante-Prejudicado deve preencher todos os quadros)
NOME:______________________________ ALCUNHA:___________________________
MÃE:_______________________________
PAI (se conhecido)______________________
DATA NASC.:_________________________
DATA DO R.I.P. *______________________
RG. _______________________________
Elo do Café **_________________________
TIPO SANGUÍNEO: ____________________

Nome do Psiquiatra:____________________
Tel:_______________
Nome do adversário:____________________
Títulos:_____________________________
Data da partida:______/______/_________
Local do Crime:_______________________


Alegações para reclamações de Insucesso e Derrota
(Responder ás afirmações colocando um “x” entre os parênteses, no máximo até 3)
1. ( ) Não vi 7. ( ) Estava cansado (eu)
2. ( ) Mijaram-me para os pés 8. ( ) Distrai-me
3. ( ) Enganou-me 9. ( ) Não jogo mais
4. ( ) Voltou com o lance a traz 10. ( ) Caiu-me a seta!
5. ( ) Batia com as peças 11. ( ) São as bruxas
6. ( ) Teve sorte 12. ( ) Estava perdido (ele)
Preencher em duplicado, enviando o original para o Ministério e o duplicado para o seu Psiquiatra.
Aguardar providências (7 dias). Em caso de vaga para internamento antecipado, os nossos educados funcionários irão buscá-lo ao domicílio.
* Requiescant in pace.
** A Gruta, bar com o maior número de papalvos por metro quadrado.

O Treinador moderno em plena actuação xadrezística

Como prometi falar-vos sobre o tema “Treinadores” fiz algumas pesquisas na Net e lá encontrei este “naco literário” sobre treinadores que vou partilhar convosco.•

1ª Parte

«Dom Miguel Roriz de Vasconcellos e Sá era um jovem GM, cujo currículo era ainda enriquecido por um curso de Treinador, obtido nos States, na academia de Xadrez José Raul Capablanca y Graupera como ele próprio gostava de frisar. Nada mais. Dito de outra forma, o GM Miguel tinha chegado há pouco dos Estados Unidos, onde estourou uma grossa fatia da fortuna do seu pai, aguardando agora pela inscrição num Clube, compatível com o seu curso, e apenas com este, já que não possuía grande experiência como jogador.

Mas quem conhecesse bem este jovem, saberia que isso não era dificuldade de monta. Cunhas, pedidos e afins eram a sua especialidade, ou melhor, a grande arma do seu pai, da qual já tinha abusado vezes sem conta, pois caso contrário, nem mesmo o seu curso teria chegado ao fim, apesar de ter sido tirado numa Academia de Xadrez privada, de grande prestígio no país.

Foi assim, que passado apenas um mês, entrou pela porta grande do GXPC, na qualidade de Treinador único e exclusivo. “Uma grande chatice”, diria ele aos amigos, uma vez que não pôde descansar o suficiente do trabalho que teve nos States para tirar o Curso de Treinador. ”Mas, como insistiram muito e não queria deixar mal o meu pai, que é amigo dos donos do Clube, tive que aceitar este pesado encargo” – justificava – se o GM.•

De facto, o pai tinha actuado tão rápido, que o próprio filho teve uma séria discussão com ele, argumentando que um GM / Treinador dos States (era sempre assim que ele se referia aos Estados Unidos) não deveria ser tratado dessa forma

- Não penses que me podem começar a tratar desta forma. Nunca o admitirei, ou não seja eu um GM / Treinador pelos States! Dizia ele.

- Então é bom que comeces a justificar o dinheiro que eu gastei contigo – rematava o pai.•

De facto, o Senhor Sá tinha gasto para cima de 6.000 contos com o filho, só nesta história do curso de Treinador. Mas como ele dizia, era o único filho que tinha e quanto mais levasse agora, menos arrecadava à sua morte. A verdade, é que este ilustre lisboeta, nada sabia de Xadrez e muito menos de cursos nos States, país aonde ele nunca fora, porque o trabalho (leia – se, o processo de amealhar dinheiro) não lho permitira.

Quando entrou no GXPC, tinha o Miguel 30 anos. É muito, é certo, mas o título de GM acrescido do curso de Treinador, segundo ele, é muito difícil por causa das inúmeras matérias a saber. Tão difícil e tão denso, que nem tinha tido tempo de abrir alguns dos muitos livros que o pai comprou, para que não lhe faltasse nada.

Quando chegou ao seu primeiro Clube, tinha à sua espera o Conde da Pasteleira, digníssimo Presidente do GXPC, Dom Fagundes Augusto e Silva do Centenário e da Esperança, Conde da Pasteleira, que já passava dos 60 anos, muitos dos quais dedicados ao seu Clube de sempre.
Era um homem sério, calmo e extremamente educado (ás vezes), que não acreditava muito em Treinadores de aviário, mas que também não tinha coragem de dizer não ao seu amigo Sá, grande benemérito do Clube que dirigia. Foi pois, dadas as circunstâncias, que do alto do seu metro e sessenta e cinco, impecavelmente vestido, que recebeu de braços abertos o seu novo Treinador, que logo lhe disse:

- Let’s go. Desculpe, é o hábito dos States. Agora, vamos mas é ao trabalho.

E foi assim, que passou a primeira noite a discutir com o Conde sobre o carro topo de gama que queria ver-lhe atribuído, o telemóvel (último modelo, claro) e as despesas de representação, pois, certamente, teria muitos contactos a estabelecer e nada como uma boa refeição para abrir portas. Não foi necessário falar sobre o vencimento, porque esse já tinha sido apalavrado entre o Conde e o Senhor Sá. No intervalo desta frutuosa reunião, ainda teve tempo para um almoço, de doze contos por cabeça, com o seu anfitrião. “Uma chatice, caro Conde. Até ao almoço trabalhamos. Mas os homens de trabalho são assim e tempo é dinheiro” – disse ele.

Coitado do pobre Conde, que por hábito comia sempre em casa um prato de peixe cozido ou grelhado, que a sua velha esposa, a Dª Epifémia, lhe preparava e que o mantinha magro e seco, como se fosse um jovem.

Mas não se pense que o GM e Treinador Miguel só tinha defeitos, porque isso é falso. Era jovem, tinha bonita figura e era hiper activo. Tinha ainda uma outra qualidade adquirida recentemente (nos States, claro está): era um exímio jogador de bowling.•

Acabada a pseudo reunião, o Conde ainda lhe propôs apresentar os vários jogadores do Clube, ao que ele respondeu:

- Another day, please. Desculpe, lá está outra vez o hábito dos States. Fica para outra altura. Sabe como é a vida – sempre a correr de um lado para outro, sempre em movimento. Imagine que vou daqui directo para uma ceia com o Presidente da Federação de Xadrez da Republica de São Tomé e Príncipe. Querem ter a minha opinião sobre o 1º Open de Xadrez que se vai realizar naquele País – sabe como é.

Na noite seguinte, o digníssimo Treinador apareceu pelas 22.30, tendo obrigado o velho Conde a uma espera prolongada, que este aguentava com uma boa dose de paciência. Desta vez, conseguiu apresentar os jogadores mais fortes, mas foi incapaz de o convencer a realizar de imediato uma reunião para debaterem os assuntos mais urgentes.

- Desculpe, caro Conde, e peço – lhe que não leve a mal, mas eu tenho uma maneira muito própria de lidar com estes assuntos. Uma das coisas fundamentais que se aprende nos States é a lidar com os jogadores. É tudo uma questão de psicologia – sempre a psicologia e, acima de tudo, a psicologia.

O resto da noite foi passada com assuntos que ele entendia serem da máxima importância. Primeiro começou por dar ordens no sentido de colocarem o nome dele, em letras garrafais na porta do seu gabinete de trabalho: GM pela Academia de Xadrez José Raul Capablanca y Graupera Miguel Roriz Vasconcelos e Sá. De seguida escolheu uma funcionária para o secretariar, tendo-lhe dado instruções rigorosas sobre a forma como se devia vestir (descobriu- se então, que era um acérrimo defensor das mini saias), como o devia anunciar, a que horas tomava café e, principalmente, a que horas não devia ser incomodado – que eram, de facto, muitas. Fez uma peixeirada enorme ao telefone, porque entendia que o seu topo de gama deveria estar disponível mais cedo, e exigiu uma casa de banho só para ele. Cansadíssimo, depois de todas estas tarefas, despediu-se com o seu ar imponente, tal qual um general (não daqueles que vão à guerra) em revista às tropas.

- E não se esqueçam, que sempre que eu entre ou saia, todos se devem levantar. Eu sei que não é hábito em Portugal, mas é importante que todos se adaptem a novos métodos. É uma questão de princípio.

O pobre Conde lá teve que aguentar mais um almoço (e a respectiva despesa), que pelo segundo dia consecutivo lhe provocou um violento desarranjo intestinal. Talvez por isso mesmo, no dia seguinte já não apareceu, deixando o Treinador por sua conta e risco.

Foi então que o GM Miguel convocou para uma reunião, que marcaria em definitivo a vida do Clube, todos os responsáveis: o Financeiro, o Comercial e o Desportivo. Trazia o discurso preparado, com o qual deu início aos trabalhos.

- Meus senhores, chegou a hora de começarmos a trabalhar! Estudei minuciosamente o Clube, tendo por base os mais modernos métodos de auditoria. Cheguei à conclusão que estamos muito mal e que, por isso, temos de dar uma grande volta à gestão desta casa. Como irão ver, será uma autêntica revolução, para a qual peço o vosso máximo empenho e colaboração. Os pormenores ser-vos-hão transmitidos por escrito. Por hoje, quero apenas falar-vos da estratégia em geral. E como eu costumo dizer já há muitos anos, o que conta é a psicologia. Temos que ser ambiciosos, querer sempre mais. Não nos podemos acomodar. Mudança – sempre mudança...•

E muito mais disse, ou melhor, muito mais falou, porque acrescentar, pouco acrescentou, já que não saiu do tema da psicologia, tendo até contado algumas histórias interessantes, como a do porteiro de um grande Clube da Capital que durante três meses desempenhou a contento as funções de Presidente, fruto apenas da forte dose de psicologia que lhe foi incutida. Terminou dizendo:»

Brevemente passarei a 2ª Parte




O XADREZ E SEU REGULAMENTO

EXPLICAÇÃO DUM AMIGO

- O Xadrez, para além de significar jogo, também pode significar complicação ou até mesmo calabouço, sabias? Mas, como o teu caso é o regulamento, avancemos.

-Vou decompor a palavra regulamento por sílabas, (analisar) para que vejas melhor, presta lá atenção: “re +gula +mento” dá um trinómio, percebeste? Quando terminar as análises pela via da matemática “a matemática é uma ciência exacta” passarei ao conteúdo que é uma matéria muito mais simples, entendeste?

- Uma das definições de “re” corresponde à parte do navio que vai da popa ao mastro onde normalmente é aplicada a força de impulsão no dito. Vês o barco a deslocar-se? Muito bem! Não sabes em que direcção mas isso lá irás ver com o tempo, tem calma e não te enerves.

- Quando somamos “re” com “gula”, excesso no comer e no beber, adivinhas como navega o dito barco? Óptimo meu velho amigo! Vejo com satisfação que a substância cinzenta dos teus hemisférios cerebrais (ainda serão dois?) mantêm-se activa apesar de nos últimos tempos constar que abandonaste a “Francesa” por causa de c5! Calma, tira as mãos do tabuleiro e vê o que acontece quando tento somar o binómio “re” + “gula” = regula “esposa do régulo” (leia-se chefe de tribo bárbara). Exactamente meu amigo, este resultado conduz-nos para já a uma grande barbaridade, agravada com os excessos contidos na “gula”! Avancemos agora na soma do trinómio, “re +gula +mento”. Ora como “mento” significa queixo, mais por mais dá mais e menos por menos dá mais, se desenvolvermos a equação desta forma o “mento” (leia-se queixo) terá de ser elevado ao quadrado por causa da raiz! Percebeste? Isto é, entendeste o desenvolvimento?

Mas é claro que nesta altura eu já não entendia nada e ver muito menos! Os papéis amontoavam-se por toda a mesa e tapavam tudo, incluindo o meu tabuleirinho de bolso onde tinha começado a ensaiar a variante do avanço na Francesa, sem conseguir passar do c5; mas o pior de tudo era o olhar inquieto que a Dª Preciosa do Café nos dirigia a partir do balcão donde fazia regularmente as suas “investigações”. Convém aqui referenciar que aquela Sr.ª era viúva pela segunda vez; no primeiro casamento dum xadrezista de renome Nacional e no segundo dum matemático das quânticas. Nesta altura e depois do cruzamento de olhares, sorri para disfarçar e pedi-lhe uma bifana daquelas que levam cebola. O Dr. Zerpelim Aristóteles, assim se chama o meu amigo, continuava às voltas com o trinómio mas a complicação surgida com o “mento”, (leia-se queixo) tinha-o absorvido completamente e, quando ia entrar na quarta hora seguida de cálculos e mais cálculos, já com o papel esgotado e sem nada o fazer prever, lançou um grito de total entusiasmo – Eureka!!!

O grito, arrancado do fundo dos pulmões a toda a força e soando como uma “oitava acima do Louis Armstrong”, aconteceu precisamente quando a Sr.ª Preciosa de bandeja na mão, andar pretensamente gracioso e com um sorriso cheio de cumplicidade, fazia a aproximação à mesa e aí sim, foi o caos. A Sr.ª assustou-se com “Eureka” (talvez pensasse que era com ela) e na desconjunção dos movimentos, a bandeja saiu-lhe disparada das mãos indo atingir o Dr. Aristóteles em pleno queixo sendo que a bifana e precisamente quando eu limpava os óculos, voou como papagaio da Indonésia espalmando-se nos meus olhos arregalados pela surpresa, juntamente com alguns restos de cebola e molho que desgraçadamente vinha carregado de picante, fornecido pelo homem da Índia; mas o pior ainda foi a Sr.ª que em completo desequilíbrio procurou apoiar-se numa cadeira “não para se sentar” e ambas seguiram viagem, rolando até à porta de acesso ao WC dos homens, onde finalmente pararam em posição que me recuso relatar aqui. Apenas se pode dizer que as roupas interiores da viúva eram de boa qualidade.

Acabámos os três por dar entrada nas urgências do Hospital de Stª Maria em estado lastimoso e tivemos ainda de suportar um extenuante “interrogatório” feito pelos médicos antes de sermos atendidos. Diziam os respeitáveis clínicos que para procederem em conformidade tinham de saber pormenorizadamente a composição da bifana ao que a Dª Preciosa respondeu, fornecendo mesmo a morada do “homem da Índia”.
Do “acidente” resultou uma fractura no maxilar inferior do Dr. Zerpelim impossibilitando-o de falar durante um mês, sobretudo de regulamentos. Eu fiquei proibido de tocar em bifanas especialmente nas da Dª Preciosa que por sua vez foi obrigada pelos Clínicos a ler toda a obra do filósofo.
Mais tarde veio a descobrir-se que as bifanas consumidas nas noites de “vela” naquele Hospital tinham passado a vir do Café da Dª Preciosa e esta tinha passado a usar calças em substituição das habituais saias.

Não se pense que o Dr. das matemáticas era homem de desistir ao primeiro round nada disso! Pelo contrário, as dificuldades que encontrou no primeiro contacto com o regulamento estimularam-no ainda mais e foi por isso que me informou da conclusão a que tinha chegado para resolver o enigmático “regulamento” e assim ficou marcada nova reunião, mas desta vez em sua casa, dado que o Café da Dª Preciosa tinha sofrido algumas alterações por esta ter casado pela terceira vez, com um Clínico de Stª Maria, que mandou afixar em letras garrafais no interior do Café e logo à entrada, o seguinte cartaz: «É expressamente proibida a ocupação das mesas a estudantes de qualquer matéria».

Chegado o dia da reunião apresentei-me em casa do Dr. Aristóteles e depois de me instalar o melhor possível para aguentar mais uma previsível descrição de como “resolver” o imbróglio do regulamento, prestei-lhe toda a atenção, não sem primeiro ter tirado do bolso o meu inseparável tabuleirinho de bolso. O Dr., sentado na minha frente, lançou-me um olhar onde se podia ler uma mistura de indulgência com alguma desconfiança, e lá começou com as suas explicações.

- Caro amigo! Vou embarcar como Comandante no barco que o meu Pai me deixou como herança e prometo que no regresso te entregarei tudo sobre o malfadado regulamento.

- E, para que não hajam problemas na viagem, escolhi eu próprio a tripulação e dei especial atenção ao homem do leme que é neste momento o meu melhor marinheiro. Homem rijo e duro como aço, que conhece todo o tipo de manobras mesmo nas mais desesperadas situações; tem ainda no seu curriculum, cinco voltas de circunvalação ao mundo sem nunca “meter água”.

Fiquei finalmente livre para continuar os estudos sobre a evolução do c5 na variante do avanço da Francesa, onde residiam ainda as minhas grandes dificuldades e o tempo lá se ia passando até que um dia toca o telefone e para grande surpresa minha era o Dr. Zerpelim! Já tinha regressado e fazia questão de me relatar de viva voz as conclusões a que tinha chegado sobre o regulamento. Não me fiz esperado e rapidamente fui ao seu encontro seguindo exactamente a direcção que me deu. Chegado ao local, fixei bem o olhar no dito e pensei: lá estou outra vez a ver os “papagaios da Indonésia” porra! O Dr. enganou-se! Isto é uma prisão caraças! Mas infelizmente para ele não me tinha enganado; o Dr. Zerpelim estava mesmo preso.

Lá entrei na prisão e acompanhado por um Guarda, fui levado à presença do Dr. Aristóteles que começou então a relatar-me a sua odisseia.

- Ai meu bom amigo! Tinha tudo pronto sobre o regulamento para te entregar mas no regresso a Portugal e quando nada o fazia prever, à entrada da Baía do Inferno (pouco conhecida no País) fui fustigado por ventos ciclónicos, ondas de 7 metros a passarem por cima do meu grande marujo, lembras-te dele? Era o homem da minha confiança! O que tinha dado cinco voltas ao mundo sem nunca ter metido água! E agora, de dentes rilhados e semblante carregado, no meio daquela violenta tempestade, cantava assim! “daqui não saio, daqui ninguém me tira!” Estaria ele mareado? (leia-se marado) Gritei-lhe da Ponte onde me encontrava agarrado a metade do “sextante” (a outra metade já tinha voado borda fora) e com a minha voz de comando mais forte, “como nesta altura eu o olhasse com ar incrédulo” disse-me – Nada do que estás a pensar meu amigo. Medo! Foi coisa que nunca tive, disso podes ficar certo.

“ Baixei os olhos para o meu querido tabuleirinho e nada disse”

- Como te ia a dizer, gritei!!! Vira tudo a estibordo meu valente! Mas o infeliz já nada ouvia tão embevecido se encontrava com a sua cantilena. Vesti então o colete salva – vidas e sempre agarrado às cordas lá consegui chegar junto do desgraçado Timoneiro e o que vi deixou-me desolado meu amigo!

- O Zé Damarra, assim se chamava o grande Marujo, estava amarrado de pés e mãos ao leme e nada podia fazer para alterar o rumo do barco. Foi então que percebi a razão daquela cantiga e num ímpeto não contido de solidariedade juntei-me a ele fazendo segunda voz, naquela cantiga que nunca esquecerei:
“daqui não saio, daqui ninguém me tira!”

- Ah meu amigo, mas depois é que foi! O barco, completamente desgovernado, batido fortemente pelo vento e por ondas que já ultrapassavam os 8 metros, apontou a proa à muralha de defesa que circundava a Baía do Inferno (pouco conhecida dos portugueses) e, sem apelo nem agravo, como se de manteiga se tratasse, cortou a barreira, e só parou quando encontrou pela frente um Hotel; mas quando parecia que tudo finalmente tinha terminado, aconteceu o imponderável.

- É que naquele Hotel decorria um dos mais fortes torneios de Xadrez, jamais realizado em Portugal!!!
E? Perguntei ansioso e sem querer interromper o Dr.


- Todos os jogadores em campo (leia-se no salão) desataram num berreiro infernal reclamando vitória por falta de condições (entenda-se muito barulho) mas na verdade, o barulho do embate do barco no Hotel até já tinha passado e este repousava agora serenamente com a parte da proa dentro do salão e o restante do lado de fora.

- Mas o que mais irritou os jogadores foi o facto de na consequência da colisão ter rebentado um saco de batatas - restos da viagem - que se encontrava no convés completamente livre e à deriva e todos aqueles tubérculos terem invadido a sala do jogo.

- Há ainda que considerar como factor agravante o facto incognoscível de uma das batatas depois de ter batido numa das paredes da sala, ter ganho efeito “qual bola de bilhar às três tabelas” e ido alojar-se em plena boca do Director de prova que na altura estava aberta, como “ganso patolas a arejar”, por causa do incompreensível acidente.

- Dado que os jogadores insistiam numa explicação para o sucedido, isto para além de continuarem a exigir a vitória e o Director de prova se encontrar impossibilitado de falar pelos motivos atrás referidos, pedi a intervenção do Gerente do Hotel que de saca rolhas em punho lá conseguiu extrair o famigerado tubérculo da boca do infeliz.

- Depois de respirar bem fundo umas três vezes o Director de prova lá começou a falar para aquela audiência ainda surpreendida com todos os acontecimentos começando por enaltecer o espírito desportivo de todos, passando logo de seguida para o regulamento da prova, evocando todos os artigos que lá não estavam e onde tudo tinha sido previsto até exactamente a atribuição de vitória para todos, incluindo até calcule-se, a oferta de todo aquele batatal!

- E assim meu caro amigo tudo terminou em bem para os Xadrezistas que até levaram batatas para casa que lhes deveriam ter dado para um mês se não abusassem.

- Para mim é que foi pior; a capitania levantou um inquérito de averiguações onde se veio a descobriu que o saco das batatas tinha sido retirado do Paiol pelo Zé Damarra numa visita furtiva que fez àquele local. Neste inquérito também se descobriu que foi o conferente de bordo quem o amarrou à roda do leme, por ele ter subtraído o saco que o referido conferente já tinha assumido como seu, pois tratava-se de economias feitas com muito sacrifício durante toda a viagem.

- E agora meu amigo encontro-me em prisão preventiva aguardando julgamento por invasão de propriedade privada à noite, mas e segundo o Juiz, se fosse de dia, não era considerado crime. Quanto à promessa que te fiz não posso cumpri-la dado que o dossier me caiu à água, no Mar da Palha, onde jaz algures, esperando ser recuperado.

DO SEMANÁRIO EXPRESSO DE 26 JUNHO 2004

“O Jogo das palavras”

E quando tentava dar uma massajem aos meus já velhos e cansados olhos ainda a sofrerem dos efeitos da bifana com cebola e molho do homem da Índia, no café da Dª Preciosa, lendo o Expresso, eis que reparo na notícia, cujo título “À séria?!” vou transcrever integralmente, com a devida autorização do seu autor

«DE ALGUM tempo a esta parte tem proliferado de forma, quase diria, epidémica, a utilização da expressão “à séria”, por parte dos mais variados sectores da sociedade portuguesa começando na publicidade e chegando mesmo a apresentadores de televisão e jornalistas (…)
Passei parte da minha vida a ler escritores como Eça de Queiroz, Aquilino Ribeiro, José Cardoso Pires, José Saramago ou António Lobo Antunes, entre muitos outros, e em todos eles encontro a expressão “a sério” expressão essa que obstinadamente também uso e usarei. Estando profundamente convicto de que os escritores referidos saberão alguma coisa de língua portuguesa, sou levado a concluir que “à séria”constitui um erro grosseiro.
Sei também que a nossa língua é viva que é o contrário de estar morta. O que não deveremos de forma alguma aceitar é a profusão de erros grosseiros apenas e tão só porque a um pequeno e determinado grupo, sei lá, apeteceu-lhe falar de forma diferente.
Como o argumento de que basta subentender a palavra “maneira” da frase (por exemplo “à maneira séria” é um perfeito disparate, gostaria de submeter esta questão a quem, porventura melhor habilitado do que eu, em termos de semântica, me (ou lhes) possa dar uma ajuda (…). Assinado; José Manuel Gomes da Silva, Alverca»

Começo por dar os parabéns ao Sr. Gomes da silva por ter levantado esta “irregularidade” que a “Frufru Caneças tenta exaustivamente fazer passar por língua viva (entenda-se morta) com a colaboração dos craques da TV e Jornais (ou pasquins?) deste nosso belo País. Pedi ajuda ao GM da semântica, Sr. Vítor Ferreira, que assim descobriu com muito trabalho diga-se de passagem, a origem, quiçá a confusão, entre “à séria” e “a sério” que no momento invade os nossos meios de comunicação.

EXPLICAÇÃO DE VÍTOR FERREIRA

«Não podemos deixar de nos regozijar por o pessoal da TV e da imprensa escrita utilizar a expressão à séria!!

Nos tempos que correm e com a proliferação da SIDA até é muito conveniente que os nossos jovens vão à séria!!

Já imaginaram o que seria se eles o não fizessem e fossem a uma qualquer?
Os nossos hospitais não teriam mãos a medir e o nosso querido País, que até não está mal de todo, ficaria de repente, na vanguarda e quase a rivalizar com os Países do 3º Mundo!

O problema maior reside no facto de que há menor quantidade de sérias do que das outras e sendo assim só alguns estarão protegidos: o eterno problema das classes privilegiadas!

Resta-nos a consolação que os outros poderão aviá-las “à série” ou “em série” como melhor lhes aprouver!

Não ficarão resolvidos os problemas das classes mais desfavorecidas, mas poderá sempre aparecer um Decreto Governamental que obrigue à troca (sim porque isto das sérias serem sempre para os mesmos quando se sabe que as outras são muito melhores!).

Aí sim, resolver-se-iam a maior parte dos problemas deste “cantinho à beira-mar plantado”: era ver os privilegiados a caírem que nem tordos, ou, para os mais puristas da língua-mãe a irem desta para melhor “em série” e à séria!!!»

Mas o Grande Vítor Ferreira não se ficou por aqui e numa investigação mais profunda ainda veio a encontrar outras “maleitas” que a seguir transcrevemos:

"Para quê ter olhos azuis, se a Natureza deixa os meus vermelhos?"
- Bob Marley

"Estou louca para ir a Nova Io rque. Sempre quis conhecer
a Europa..."
- Carla Perez (loira do Tchan)

"Adoro Beethoven, principalmente os poemas."
- Ringo Star

"Sempre que vejo TV e aparecem aquelas crianças a morrer de fome, não consigo evitar chorar. Quer dizer, adorava ser assim magra, mas sem aquelas moscas, mortes e essas coisas..."
- Mariah Carey

"Fumar mata. Quando se morre, perde-se uma parte muito importante da vida."
- Brooke Shields

"Estar vivo é o contrário de estar morto."
- Lili Caneças

"Temos que analisar os pós e os contras."
- Zé Maria (BB1)

"Minha vida deu uma volta de 360 graus"
- Adriane Galisteu

"Os sete artistas compõem um trio de talento."
- Manuela Moura >Guedes

"A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de cancro a cada ano."
- Manuela Moura Guedes

"Um morreu e o outro está morto."
- Manuela Moura Guedes

"É trágico! Está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos!"
- Jornalista da RTP

"O assassino matou 30 mortos."
- Rodapé do Telejornal da SIC

"Foi assassinado, mas não se sabe se está morto."
- Jornalista da TVI

"Estão zero graus negativos."
- Jornalista da TVI

"A grande maioria das nossas importações vem de fora do país."
- George W. Bush

"Juskowiak tem a vantagem de ter duas pernas!"
- Gabriel Alves

"Lá vai Paneira no seu estilo inconfundível...(pausa)... mas não, é Veloso."
- Gabriel Alves

"A China é um país muito grande, habitado por muitos chineses..."
Charles de Gaulle

"O meu coração só tem uma cor: azul e branco."
- João Pinto (jogador do FCP)


"Inácio fechou os olhos e olhou para o céu!"
- Nuno Luz (SIC)

"Quem corre agora é o Fonseca, mas está parado."
- Jorge Perestrelo

"Nós somos humanos como as pessoas."
- Nuno Gomes (SLB)