XI Dominical: O Capitão em Grande!

Foi a 10 de Dezembro de 2006 que um feito histórico, inenarrável até, se registou nestas terras alverquenses! Na sede da SFR Alverquense, mesmo ao lado das bombas da GALP, como quem vai para a estação da CP vindo do Jumbo e vira ali à esquerda, aí mesmo, Cláudio Boino venceu o XI Dominical com 10 pontos em 10 possíveis, contra fortíssima oposição! Parece impossível, é certo, qual Odisseia, qual Eneida, qual quê! De Moscovo, Kasparov, sempre atento, deverá escrever na sua crónica habitual na revista "New in Chess" um par de linhas sobre este insólito, por tão estrondoso, feito!

Sem cerimónias, Lino, Francisco, Lucas, Vieira e Domingos Farinha sucumbiram ante a demolidora energia do Capitão. O cenário era sinistro Cinco almas devastadas pela serena mas fria e impiedosa voragem do génio!

Nuno Lino perdendo apenas com o Capitão e com o Francisco numa das partidas, fez 7 dos 10 pontos possíveis, arrecadando o segundo lugar. No grande duelo entre o Lucas e o Chico, venceu o Hélder na primeira volta, Correia a segunda! Estava assim quebrada a tradição das duplas vitórias nestes embates. Lucas não conseguiu pontuar contra Lino afastando-se assim do Francisco (que vencera na segunda volta ao Lino) que se classificou no terceiro lugar. A Lucas restou-lhe a quarta posição.

Vieira venceu apenas as suas partidas contra Domingos Farinha… dando-se muito pela falta de Norberto! Farinha foi o segundo totalista da prova. Tal como o Capitão, Domingos Farinha não serve para critério de desempate: todos fazem o mesmo resultado contra esta dupla!

Sem Norberto Santos, a festa que é o Dominical deixa de o ser! Sem o Norberto cai a folia e esmorece o espírito galhofeiro das tropas! Com a esfarrapada desculpa de estar em Barcelona (como se isso justificasse a ausência), Norberto impôs uma pausa na sua carreira dominical. Cai assim o último totalista! No campo da assiduidade, Correia, Boino e Norberto ficam assim empatados com uma falta cada: 10 torneios em 11 possíveis.

Sabemos que Norberto voltará e isso basta para aquecer os nossos corações, saudosos da sua galharda Francesa, da sua colorida Grunfeld. Mas a falta não está justificada: Vieira sem Norberto não é o mesmo. Uma sombra do homem que nos habituou a usar a dupla cadeira para assim melhorar a sua visão sobre o tabuleiro, o guerreiro Vieira apaga-se sem o seu adversário de sempre, o Norberto Santos! Falta um, falta o outro, mesmo que lá esteja.

Para a semana, há mais, claro.

BOINO

Etiquetas:

O Regresso do Capitão ou o X Dominical

No dia 3 de Dezembro de 2006, um domingo, claro está, o Capitão voltou para vencer uma vez mais o fabuloso torneio Dominical da SFRA. No entanto, Francisco Correia igualou Cláudio Boino neste regresso: o Capitão teve de partilhar (pela segunda vez na história dos Dominicais) o primeiro lugar com outro jogador. Francisco Correia tomou o gosto às vitórias (ganhara a nona edição, em que este vosso criado não participou) e quis ganhar outro Dominical: ganhou-o ex-aqueo com Boino... que outra forma há de ganhar um Dominical, perguntará o leitor, rendido à infinita potência deste humilde escriba!

A prova foi pouco participada: apenas 5 atletas compareceram. Para além dos já citados Boino e Correia, Loureiro, Norberto e Farinha "pai" deram o seu contributo àquela que por muitos é já considerada a prova rainha do xadrez nacional!

O torneio registou, como já se adivinha pelo primeiro parágrafo deste relato, um daqueles raros acontecimentos: Francisco Correia ganhou uma partida ao Capitão Boino! E não só! Venceu em toda a linha os outros 3 adversários... Na última sessão da prova quis o destino que nos encontrássemos novamente: eu e o Francisco. Ele tinha um ponto a mais que eu...

Devo falar um pouco da vitória do Francisco sobre este vosso amigo! Num final de bispos de côr contrária, em que Boino tinha um peão a mais... o Lendário Capitão arranjou forma de perder a partida! Bem feito, pensa o leitor, farto da infalibilidade deste criativo e poderoso xadrezista! Mas há alturas em que a amizade faz das suas... e lá deixei o Chico ganhar, disfarçando o melhor que pude, para que ele não descobrisse que fiz de propósito!

Voltando à derradeira sessão... e à magnífica vitória que me colocou no primeiro lugar na companhia do Chico: olhei o Francisco nos olhos, arregacei as mangas e disse entre dentes: "A tua vida pouco mais vale que um molho de azedas, meu rapaz! Acabou-se o forrobodó!" Atemorizado com a ameaça, que poderia o pobre Francisco fazer? Jogando a uma cadência infernal, com lances de inaudita precisão, demoli paulatinamente a posição de Francisco, arrastando, no colapso, a sua vontade de viver! "Karpov teria orgulho desta partida!" disse-lhe assim que Chico Correia me cumprimentou agradecido por ter participado em tão elevada criação xadrezística! Francisco concordou.

Não percebendo por que razão não acredita o leitor neste meu último parágrafo, resumo agora a restante prova: Domingos Farinha ensacou o que havia para ensacar, registando, no entanto, fortes avanços, mesmo com esta dura forma de iniciação aos Mistérios do Xadrez! Há que ser paciente e determinado, algo que não falta ao nosso Domingos Farinha! Qualidades que, infelizmente, não passou ao seu filho Pedro... invertebrado atleta que, com a desculpa de estar longe, regista falta atrás de falta nos alverquenses Dominicais!

Norberto e Loureiro discutiram entre si o bronze que ficou para o segundo, após duas vitórias sobre um Norberto em dia menos conseguido!

Etiquetas:

IX Dominical e já vamos na dúzia!

No nono dominical, dada a complexíssima agenda do Lendário Capitão, o poder foi entregue ao povo: Caiu na rua! E quem o apanhou? O Francisco Correia! Pois então. Contra ele estiveram Lino, Vieira, Loureiro e Norberto: explica-se assim a vitória do Chico... o Lucas não foi!

Pelo que me foi contado, foi muita a crispação entre os atletas, esbugalharam-se olhos, dilataram-se pupilas, abriram-se bocas, mostraram-se dentes. Algo que, é sabido, não ocorre quando o Lendário Capitão está presente!

Loureiro terá cantado uma seta caída ao adversário de Norberto... Loureiro que venceu ao mais cotado participante: Nuno Lino! Infelizmente não me chegou, nem chegará ao desgraçado leitor, registo de tal partida!

Jogado a uma só volta, depressa se terá despachado a coisa e o Chico arrecadou uma totalitária vitória com quatro pontos em quatro possíveis. Lino, que perdeu com o Chico e com o Loureiro, arrecadou o bronze tendo a prata ficado para o espinhense Peão! Vieira venceu Norberto em mais um episódio do duelo imortal, classificando-se o primeiro em quarto lugar, com um ponto, e o Norberto teria de esperar mais uma semana para pontuar... mas disso falaremos no relato do X Dominical!

Não percas, caro leitor!

BOINO

Etiquetas:

XVIII Taça de Lisboa 2007

Equipas em prova
1 Ginásio Clube Odivelas Rtg-Ø: 2258
2 Associação A. Amadora "A" Rtg-Ø: 2220
3 Sporting Clube Portugal Rtg-Ø: 2200
4 Grupo Xadrez Alekhine "A" Rtg-Ø: 2153
5 Clube Tap Rtg-Ø: 2118
6 União Cultura e Acção Rtg-Ø: 2099
7 Associação A. Amadora "B" Rtg-Ø: 2042
8 ADRC Mata de Benfica Rtg-Ø: 2037
9 ADC Mestres S. João Rtg-Ø: 2016
10 GX Peões Alverca Rtg-Ø: 2007
11 Grupo Xadrez Alekhine "C" Rtg-Ø: 1951
12 CeCSSACavaleiros Rtg-Ø: 1922
13 Grupo Xadrez Alekhine "D" Rtg-Ø: 1912
14 Grupo Xadrez Alekhine "B" Rtg-Ø: 1879
15 Clube Xadrez Damas da Amadora Rtg-Ø: 1849
16 Clube Xadrez de Sintra "A" Rtg-Ø: 1812
17 Académico Torres Vedras Rtg-Ø: 1776
18 Ateneu Comercial Lisboa Rtg-Ø: 1767
19 Clube Xadrez de Sintra "B" Rtg-Ø: 1557

Depois de jogada a 1ª Jornada no passado dia 26 de Novembro 2006, vai ser jogada a 2ª, hoje, dia 10 de Dezembro 2006, das 15H00 às 19H00, no Fórum do Bairro da CHASA em Alverca.

Trata-se de um evento digno de destaque, se pensarmos que estão envolvidas 19 equipas neste interessante torneio. Com quatro jogadores por equipa, irão estar presentes setenta e dois jogadores, se não houverem faltas de comparência, sempre indesejáveis Mas, há mais os “mirones”! Pode acontecer que acabem por estar presentes neste torneio, cerca de 100 pessoas o que o tornaria, o 2º maior realizado em Alverca, em cerca de trinta anos de actividades escaquisticas. Um belíssimo evento. Estão de parabéns os organizadores.

Emparceiramento para esta 2ª Jornada

Associação A. Amadora "A" - Clube Xadrez de Sintra "B"
Ginásio Clube Odivelas - Sporting Clube Portugal
Clube Xadrez Damas da Amadora - ADC Mestres S. João
Associação A. Amadora "B" - Académico Torres Vedras
Grupo Xadrez Alekhine "A" - Clube Tap
Grupo Xadrez Alekhine "B" - Grupo Xadrez Alekhine "D"
Clube Xadrez de Sintra "A" - União Cultura e Acção
ADRC Mata de Benfica - GX Peões Alverca
Ateneu Comercial Lisboa - Grupo Xadrez Alekhine "C"
CeCSSACavaleiros - Bye


É um absurdo!

Ele nunca tinha tempo livre. Não tinha tempo para a família, não tinha tempo para os amigos e amigas e, muito menos para o xadrez. Todo o tempo era consumido a trabalhar. Trabalho, trabalho e mais trabalho…comprar casa, carro e…nem sei mais o quê. O seu horizonte estava fixado no dinheiro. Quanto mais tivesse mais depressa conseguiria atingir o seu objectivo.

Mas eis que um dia adoeceu e foi internado num hospital. Foi ali que constatou que afinal tinha tempo para a família, para os amigos e amigas e até para o xadrez. Tinha tempo para tudo e todos. Até passou a ter tempo para pensar o que raramente fazia mas já era tarde.

«Assisti na minha vida a algumas imagens de velórios com tudo demasiado sério. Faltava a zombaria e a desmistificação da cena. Nada acontece que dê vontade de rir É só dor e perplexidade, uma causa em todos os que ficam. A verdade é que não há nada a acrescentar ao roteiro da morte que, por si só, é já uma piada pronta. Morrer é ridículo.

Combinaste um jantar com a tua namorada ou namorado, estás em pleno tratamento dentário, tens planos para a próxima semana, precisas de autenticar um documento num cartório de notário, precisas de meter gasolina no carro e, a meio da tarde, morres. Como é possível? E os e-Mails que ainda não viste? O livro que ficou a meio, o telefonema que prometeste fazer à tua namorada/o? Não sei de onde saiu esta ideia: morrer. A troco de quê?

Pensaste mais de 10 anos da tua vida dentro de uma escola estudando formulas químicas que não te serviram para nada mas mantiveste-te lá, fizeste as provas e foste em frente. Praticaste muita educação física e quase perdeste o fôlego, mas não desististe. Passaste madrugadas sem dormir, para estudar, mesmo sem teres a certeza do que querias fazer da vida, cheio de dúvidas, quanto à profissão escolhida, mas era tempo de decidires e decidiste. Mais uma vez foste em frente…de uma hora para a outra tudo isso termina, num acidente de automóvel ou por um disparo feito por um delinquente qualquer que gostou do teu anel, mas que até nem era de ouro. Morrer é um absurdo.

És obrigado/a a sair no melhor de uma festa, sem te despedires de ninguém, sem teres dançado com a pessoa que mais gostavas, sem teres tido tempo de ouvir outra vez a tua música preferida, deixas-te em casa as camisas penduradas nos cabides, a toalha húmida no varal e também algumas contas por pagar.

Os outros vão ser obrigados a arrumar as tuas coisas, a mexerem nas tuas gavetas, a apagarem as pistas que deixas-te durante uma vida inteira. Mas sempre dizias: das minhas coisas trato eu. Que partida tão macabra. Saiste sem tomar café e talvez não almoces, caminhas por uma rua e talvez não chegues à próxima esquina, começas a falar e talvez não concluas o que pretendes dizer. Não fazes exames médicos e fumas dois maços de cigarros por dia, bebes de tudo, saboreias belas costeletas de poco e mulheres bem lindas e morres num sábado de manhã. Porra! E logo de manhã?!

Se fazes check ups regulares e não tens vícios, morres na mesma. Isto é para ser levado a sério? Tendo mais de 100 anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo; já não há muito a fazer, o corpo não acompanha a mente e a mente já não funciona bem, sem falar que quase nada está guardado nas gavetas. Tudo bem. É hora de descansar em paz.

Mas, antes de viver tudo, tudo até ao fim?! Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como sabemos, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem piada nenhuma. Por isso, vive tudo o que há para viver. Não te apegues às coisas pequenas e inúteis da vida.»